April 12, 2007 8

“Engenheiro”

By in Opinião, Polítiquices
Comentando o comentário do Zélito à entrevista de ontem, acabei por proferir a minha opinião em relação a um aspecto particular da polémica em redor do PM. E porque pode ser pertinente a experiência vivida por alguém que passa mais ou menos pela mesma ambiguidade em relação à denominação do seu emprego (a minha experiência vale o que vale), reproduzo aqui o teor do meu comentário.

Só vou comentar a questão do título de Engenheiro. E faço-o apenas porque passo/passei exactamente pelo mesmo e faço-o como Engenheiro ou Licenciado em Engenharia, como queiram.

A verdade é que quando saímos de um curso de Engenharia, não há quem nos esclareça directamente qual a nossa situação relativamente à ordem dos Engenheiros. Pelo menos assim foi no meu caso. E quando tento saber se sou Licenciado em Engenharia ou Engenheiro, as próprias informações que Professores e colegas meus me dão, são contraditórias.

Eu, sendo licenciado num curso de Engenharia acreditado pela Ordem, confere-me o direito de ser chamado Engenheiro (não que isto me interesse pessoalmente, mas são questões que se põem aquando da impressão dos cartões da empresa, por exemplo), dizem-me uns. Outros dizem-me que não bastará isso, que teria que pagar a anuidade (que não é tão baixa quanto isso) e só assim me poderei denominar como Engenheiro. Há uns anos diziam-me que, acreditado pela ordem ou não, teria sempre que fazer um estágio e apresentar um relatório na ordem para ser engenheiro… Enfim, como podes ver, ninguém sabe ao certo. E eu, não sabendo de facto o que sou, escrevi no meu cartão da Empresa: Eng.º Biológico. Aliás, assim fez a empresa sem sequer me perguntar. A verdade é que o termo “Engenheiro” terá uma conotação legal, mas isso na prática (e quando digo prática, falo no trabalho, no dia-a-dia e não recorrendo aos DL , etc.) não tem qualquer tipo de distinção relativamente à inscrição na ordem ou não. Tenho um colega do trabalho que tirou um bacharelato em Engenharia. Ele vê-se como “Engenheiro” e eu vejo-o como tal também. Estou-me borrifando se ele é ou não inscrito na ordem (se bem que existe obrigatoriedade legislativa, mas na prática, no dia-a-dia do trabalho, as empresas privadas querem é um serviço bem feito e estão-se a borrifar para essas burocracias. Em instituições públicas, o caso não é o mesmo). E se formos entrar por essa via adentro, será um Licenciado em Educação um verdadeiro Doutor, no sentido legal da palavra? Não faço a mínima ideia. Nem me interessa. Apenas acho esta uma questão “menor”.

Isto tudo (e peço desculpa pela extensão das minhas palavras) para dizer que compreendo que em 93, e mesmo apenas tendo um Bacharelato, o então Deputado Sócrates tenha escrito como profissão: Engenheiro. Eu e milhares de Bachareis e Licenciados em Engenharia teriam feito exactamente o mesmo.

8 Responses to ““Engenheiro””

  1. Axpegix says:

    Toda esta situação se resume a isto:

    Propaganda política!

    Se eu fosse PM cagava para tudo isto e quem quiser investigar, que esteja à vontade para provar o que quer que seja…

    Marques Mendes, mesmo depois dos esclarecimentos do PM, continua a insistir nesta palhaçada toda, enfim… pode ele ficar bem descansado, que nem com meia dúzia de títulos atrás do seu nome conseguirá chegar a PM.

    Portugal foi certamente o primeiro país que teve um PM que foi a um canal de televisão explicar ponto por ponto a sua carreira académica.

  2. Cátia says:

    Acho que isto é tudo uma grande palhaçada e perda de tempo, sinceramente. de qualquer forma como PM e com as alegadas irregularidades com o seu diploma, acho que tem a obrigação e o dever de explicar aos portugueses o que se passa. Se num cidadão comum isto era uma situação completamente irrelevante o mesmo não se dizer quando está em causa um Primeiro Ministro, que deve ser sempre um exemplo para a sociedade. Acho ainda que as explicações, se se podem chamar explicações à entrevista que ele deu, vieram tarde. Acrescento ainda que de qualquer forma não está em causa o trabalho q ele tem feito e isso é mais importante que tudo.
    Portugal é um país de títulos, ou Engenheiros ou Doutores, trabalhar e produzir é que não.

  3. Cátia says:

    Mais importante ainda que esta questão do PM é o jogo de logo à noite do Benfica com o Espanhol, isso sim é um assunto de extrema importância para Portugal!

    (espero não ter dito nenhuma asneira nem me ter enganado no clube)!

  4. solquartocrescente says:

    Avalie cada um o que pode contribuir para Portugal em vez de avaliar o possível título do PM.

    No fundo como disseste é muito díficil saber-se que título temos ao sair da Univ.

    Serei eu biólogo, dr., biólogo aplicado ou simplesmente um aluno de doutoramento?
    LOL

  5. solquartocrescente says:

    Um abraço grande amigão!

  6. Ric Jo says:

    Lol Cátia… Não te enganaste no clube. É isso mesmo. Força SLB… 😉

    Claro que ser Engenheiro, Doutor, Mestre ou Professor é o menos. A pessoa tem é de ser bom profissional, seja em que área for e tenha o grau que tiver.

    Simplesmente digo que compreendo que o PM tenha escrito “Engenheiro” na sua profissão. Se alguém te pergunta, Cátia, o que és, que respondes? Engenheira. E na prática, a ninguém interessa se estás inscrita na ordem ou não… Interessa é que sejas boa naquilo que fazes (o que até é o caso… lol)

    Como digo no post em baixo, perdemos demasiado tempo a falar nisto. Até aqui, estou/estamos a fazer o mesmo… Falemos de futebol, então… lol

    Solquartocrescente, tu não és nada disso! Tu és o PIRES!!!! Único em todo o mundo! E esse “título” ninguém to tira nem mais ninguém o terá!!! Pires!!! lolololol

  7. joão says:

    Amigo!
    Falando também por experiência própria, e esclarecendo algumas dúvidas: só é engenheiro, habilitado a praticar actos de engenharia (sendo responsável por estes, assinando-os!), o indíviduo que pertença à ordem dos engenheiros. Para pertencer há várias formas, que incluirão sempre o pagamento da tal anuidadade (120euros!). Eu próprio, que tirei o curso há ano e meio, já passei de lic. em eng. civil a eng. estagiário, mas ainda n sou eng. Ou seja, por mais que faça o mesmo trabalho, tão bem ou melhor que qualquer outro eng., por enquanto ainda não posso assinar nada enquanto tal.
    O que não impede, como chamas a atenção, que as cartas do banco, por exemplo, sejam dirigidas ao Eng. João Sales!
    Dúvidas, questões ou outras coisas acabadas em ões, como calções, estamos cá para isso! 😉

    Forte abraço!
    JC

  8. SL says:

    Apesar do post ser já “antigo”, não pude deixar de contribuir com um comentário…concordo com praticamente tudo o que foi dito anteriormente, por alguns de vós. Toda a polémica não passou de politiquece mal disfarçada, para tentar denegrir a imagem do PM, descridibilizando-o. No entanto, todos os estudantes de engenharia, estando inscritos ou não na ordem (dos engenheiros ou dos engenheiros técnicos – anet), ao terminar o curso, e mesmo antes, já são chamados de engº. É o país que temos, de títulos.
    No entanto, e sei-o por experiencia própria, pois tive necessidade de me inscrever na ordem para praticar “actos de engenharia” inerentes à minha profissão, só poderá usar o título de engº quem estiver inscrito. Eu até passar a efectiva, recebia cartas dirigidas à “licenciada em engenharia …”.
    Para quem tiver interesse, pelo menos para tirar dúvidas a esses professores que não souberam explicar(os meus explicaram e até estudei na UM e tudo)deixo aqui um excerto do DL que legisla a ordem.
    Ah! Outra coisa que queria dizer, mesmo que se frequente um curso que não seja reconhecido pela ordem ou nao esteja acreditado pela ordem, podemos sempre fazer 1 exame de admissão à ordem.

    (provavelmente tudo o que disse não passa de uma grande seca para quem ler isto, mas tb nao se perde nada em se saber um bocadinho mais)

    Saudações académicas 😉
    SL

    Decreto-Lei nº119/92 publicado no Diário da República nº 148 I – A

    Capítulo II – Membros

    Artigo 3.° Inscrição

    A atribuição do título, o seu uso e o exercício da profissão de engenheiro dependem de inscrição como membro efectivo da Ordem.

    Artigo 4.° Título de engenheiro

    Para efeitos do presente Estatuto, designa-se por engenheiro o titular de licenciatura, ou equivalente legal, em curso de Engenharia, inscrito na Ordem como membro efectivo, e que se ocupa da aplicação das ciências e técnicas respeitantes aos diferentes ramos de engenharia nas actividades de investigação, concepção, estudo, projecto, fabrico, construção, produção, fiscalização e controlo de qualidade, incluindo a coordenação e gestão dessas actividades e outras com elas relacionadas.

    (http://www.oern.pt/estatutos.php?id=3)

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