February 27, 2008 6

Petites vues de Paris [6]

By in Petites vues de Paris
Este local em específico merecia um post só para ele. Não se trata de nenhum lugar com nome próprio nem de um quartier famoso da cidade. Este spot não é mais do que as escadarias de Sacré Cœur, igreja já pintada por mim num ou dois posts atrás.

Mas estas escadarias têm vida propria. Quem as sobe tem como pano de fundo o Sacré Coeur. Quem as desce tem uma fabulosa vista sobre Paris: Centre Georges Pampidou, Notre Dame, Tour Eiffel, etc. etc. É de facto qualquer coisa. E dada o envolvente tão belo, são escadarias frequentadas por imensa gente.

Mas há uma característica que estas escadas têm, que para mim, as tornam nas mais belas escadarias que alguma vez subi: a música. Na verdade, estas escadas são bem mais do que um simples meio para subir até ao Sacré Coeur. Estas escadarias são um autêntico palco e plateia, onde músicos e público (fixo e de passagem) interagem de uma forma brutal. O pequeno amplificador, a guitarra electro-acústica, o microfone e um ou dois músicos amadores de um lado. Do outro, turistas de passagem, é certo, mas também um conjunto de caras conhecidas que regularmente regressam à plateia para reencontrarem amigos, conhecidos e musicas que de tanto ouvirem, já acompanham constantemente em uníssono. E como forma de combater o frio, talvez, ou provavelmente apenas pelo prazer do sabor ou pela combinação quase perfeita que a bebida dos deuses tem com acordes e melodias debitadas do palco, o pessoal traz sempre debaixo do braço uma ou duas garrafas de vinho tinto, ou um pack ou dois de cerveja. E ali, durante uma tarde inteira, entre refrões de Beatles, Bob Marley e Bob Dylan, a sede nunca impera e as garrafas passam de mão amiga ante mão amiga, como que celebrando a união da musica com aquele fabuloso cenário envolvente. E se de inverno o ambiente ja é quente, apesar das rajadas de vento gelado existentes por nos encontramos num dos pontos mais altos da cidade, nem consigo imaginar como vais ser num fim de tarde de primavera ou de verão…

É claro que depois de ter descoberto este spot, nunca mais o consegui tirar da mente e várias foram as vezes que lá regressei. E continuarei a regressar. E como é óbvio, já tive uma vontade louca de ir para o palco, agarrar no micro e dar a uma contribuição com as minhas pinceladas para aquele quadro tão belo que se pinta. Ou dar as minhas pinceladas como deve ser no publico, partilhando uma garrafa de Bordéus com amigos, enquanto partilhamos refrões com tantas outras pessoas. Mas infelizmente não tenho por cá os meus camaradas do som, e assim sendo resigno-me a imaginar-me em tal situação, vivendo apenas uma parte do quadro. O que por si só é bem melhor do que não viver nada.

Parece tudo pintado de um filme. Eu sei. Mas é tudo real. É Paris.

6 Responses to “Petites vues de Paris [6]”

  1. MysterOn says:

    Ao contrário da cidade onde me encontro (feliz ou infelizmente)…aí a cidade também se vive na rua!

    Havemos de lá chegar!

    Até Sábado!

  2. tiago says:

    Jovem, se tens uma vontade louca de ir para o palco, estás à espera de qué? heim?!?! é pá, cheira-me que quando saíres dai vais-te arrepender de não o ter feito! quebra aquela imagem do português mais enconadinho. eu sei que é difissil, mas foda-se, se soubesse alguma coisa de musica não ia resistir muito tempo a fantástica vista que tens pela frente. acho que Paris visto dai deve de ser o publico perfeito! vá, go for it!

    pois é, eu tive aí, mas na altura fiquei com melhor impressão do caminho alternativo que fiz até ao cimo (passei pelo bar onde amelie trabalhava :), do que propriamente o local. acontece que tive o azar de ir em Agosto e, aquilo estava transformado num autentico mar de americanos e japoneses. aí vi tudo menos paris. mesmo os artista que estavam a vender as suas obras olhavam para ti com uma cara de desconfiança brutal apenas por seres apenas mais um. mas pronto é sempre uma condição do viajante quando se arrisca locais altamente turísticos, especialmente no verão.

    depois, pior que isso, só mesmo haver uma prova daqueles maricas que andam de bicicleta de capacete a descer montes, vales e escadarias das cidades mesmo no sitio onde era suposto estar essa malta a cantar para Paris.(cá em lisboa, irrita-me o facto de depois das provas ou treinos, esses gandas malucos irem para casa nos nos PASSEIOS montados nos seus montes de alumínio ou carbono que mais parecem uns cangurus).. mas pronto, ficou o desabafo descontextualizado.

    pois é mysteron!, gosto de te ouvir falar assim… e tu já deves de estar farto de me ouvir falar do porque das nossas ruas mortas. talvez desta vez possas ser o ric a falar das bicicletas, e das já algumas politicas “anti-pópó” que começam a rebentar com Paris que, no ultimo século, teve bastante dependente do automóvel. a pouco e pouco vai mudando, seja com as já famosas bicicletas publicas, a velib, fabricadas pela nossa portuguesa orbita ou para outras louváveis iniciativas como esta.

    pronto ricardo, que fique claro que quero um poste sobre a velib !

    grande abraço, e já mes estiquei outra vez… a culpa é de Paris estar longe!

  3. MysterOn says:

    Tiagão!

    Não me referia apenas às bicicletas!!

    Aguardo o teu contacto para darmos essa volta…ou na cidade grande ou na cidade pequena, your call. No entanto na cidade pequena parece-me que seja mais fácil devido ao facto de eu depender de ti para orientar uma bicicleta…

    Abraçossssssss

  4. Hugo says:

    Olha, já comim num restaurante no final do jardim que se segue à Sacré Cœur… Era bom! Pena não me lembrar do nome…

    Nesse jardim anda está o carrossel?

  5. Simão da Costa says:

    wow wow wow

    este local tem tudo e todo o potencial para um portugues com um guitarra na mao lhe dar ao manifesto.
    De que estas à espera ?!?
    Se tivesse ai dave-te o empurrao de certeza absoluta 🙂
    No f*** fears!! 🙂

    um braço

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