
Não me vou alongar muito sobre as razões ou a falta de delas para a manifestação que hoje decorreu em Lisboa. Mas, aqui de longe e um pouco limitado em termos de dados concretos, antes de mais, pareceu-me um pouco exagerado a cobertura e alarido que se deu a este evento. É certo que reuniram o maior número de sempre de pessoas numa manifestação da educação. E até poderão ter razão em algumas das reivindicações que fazem, mas caramba, não se trata de um caso de vida ou de morte.
Antes de mais, o episódio dos polícias se dirigirem às escolas, inclusivamente à da Cidade Pequena, pareceu-me claramente uma tentativa de recolha de dados numéricos para melhor organização logística por parte das forças de autoridade. Ok, era escusado terem ido pessoalmente às escolas. Poderiam, de facto, ter pedido a informação via telefone. Mas se eu estivesse à frente das operações de segurança, tentaria igualmente inteirar-me da forma mais fiável acerca do número de pessoas que iriam estar presentes. Se, de facto, houve algum caso em que tenham pedido a identificação das pessoas que iriam participar na manifestação, aí sim, trata-se de um caso de intimidação. Mas nem esse acontecimento foi confirmado, havendo duas versões diferentes da história. E depois, ou o Governo tem pessoas muito limitadas à frente do seu destino em termos de imagem e rumo, ou a ideia de sequer se tentar um intimidação nesta altura do campeonato, com a enorme mediatização que este caso tem, seria um autêntico suicídio político. Para além de ser uma violação aos direitos fundamentais da nossa democracia, claro. Portanto, a meu ver, tratou-se apenas de um acto logístico. Mas essa é apenas a minha opinião.
Só tive a oportunidade de ver o Jornal da Tarde no site da RTP, hoje (Sábado) de manhã. Falou-se da manifestação durante os primeiros 27 minutos da emissão. Mais os minutos dedicados ao assunto na segunda parte (anunciado pelo pivô), que acabei por não ver. Ora, se já é mau terem dado de tempo de antena o equivalente a um Telejornal inteiro da TF1 a este assunto, o que dizer da fabulosa e pertinente reportagem feita na nas instalações da Fenprof e da empresa de fabricação de brindes, onde se apresentava todo o processo de fabricação, organização e distribuição das bandeiras, cartazes e t-shirts? Já para não falar do directo (repito, directo!) feito por uma jornalista, somente com o intuito de anunciar as alternativas rodoviárias para as várias zonas da cidade de Lisboa. Como digo, estando longe é-me mais difícil acompanhar todos os assuntos com a devida atenção que merecem (ou não), mas ou mais nada de importante se passa em Portugal ou então a minha noção de serviço noticioso é bem diferente daquela que vi hoje no Jornal da tarde.
Seja como for, e encarnando um pouco o papel de advogado do diabo, apenas sei que Portugal necessita urgentemente de reformas. Se as que o Governo de Sócrates estão a fazer são as mais correctas ou não (algumas são-no na minha opinião), não me cabe a mim dizer. Mas que é o primeiro Governo, dos que a minha idade me permitiu acompanhar, que verdadeiramente as faz , isso é indesmentível.
Tens razão Ric!
E eu ainda procuro reivindicaçõse razóveis por parte dos docentes, que não algumas do tipo estarem contra o facto de agora já não terem reformas aos 50 e tal anos, quando os restantes portugueses têm de trabalhar até aos 65, ou terem de trabalhar das 8h30 às 17h30…
For God’s sack!!
Concordo plenamente! Também ainda não percebi muito bem o porquê de tanta reivindicação…por serem avaliados???? Give me a break, eu também sou avaliada todos os anos (aliás, decorrem neste momento as avaliações) e nunca hei-de subir tanto de categoria como os senhores professores e jamais ganhar tanto como eles logo em início de carreira e muito menos em fim de carreira! Deviam ganhar o que eu ganho, trabalhar muitos fins-de-semana e noites! Se calhar já lhes dava mais crédito! Pois tanta manifestação, que intupiu literalmente o centro de Lisboa, mas depois foi ver grande parte a passear-se e às compritas pelo Vasco da Gama (que já estava “pouco” congestionado com os milhares de pessoas que por lá pararam antes do concerto dos The Cure)….cá para mim foi mais uma excursão “capitalista” até à metrópole!
Não venho cá discutir a validade da manifestação, ou das reivindicações.. Venho só chamar a atenção para algo que me parece grave, o descrédito da profissão de professor. É muito mais fácil atirar pedras.. disse alguém…
“Miss-I-Am-Free-Because-I-Belong-Nowhere.. diz: Deviam ganhar o que eu ganho, trabalhar muitos fins-de-semana e noites!” Desta afirmação concluo que nunca teve um, minimamente, Bom professor como familiar, pois nunca com certeza o ouviu falar das grandes horas de trabalho passadas em casa! Desculpe lá dizer que um professor minimamente bom, prepara as suas aulas, onde? em casa!pois na escola não há tempo. Onde será que o professor faz os testes? na escola? durante as horas “pagas” de serviço? Agora,com o actual sistema o professor passa mais tempo na escola,tempo esse que não usa pra coçar os … 😉 e por tanto o restante trabalho tem de ser feito em casa! (não dou mais exemplo,não me quero alongar mais) Isto para um professor minimamente bom, porque os muito bons ou mesmo excelentes fazem muito mais, muito mais!! onde? em casa, porque o tempo passado na escola não dá pra tudo. Mas é assim que tem que ser, concordo!Um Bom professor tem de fazer trabalho de casa, tem de estudar! Mas não me venham dizer que os professores não fazem nada, e não merecem sequer o seu salário! E peço desculpa, mas não é assim tão bom, muito menos em inicio de carreira (quando se da umas horas durante um mês num ano lectivo inteiro, e isto já É muito bom para quem o conseguir) é bem merecido por aqueles que Realmente Trabalham! O que me leva a falar no tema:a avaliação. Não está em discussão que ela é necessária, mas como deve ser feita! E é bem necessária, pra todos! ..a ver se se consegue tirar do sistema os energúmenos que lá estão aos anos a ensinar barbaridades aos putos…. mas esses não vão embora (desabafo…)
Enfim, o que eu queria mesmo dizer, política à parte, é que a atitude revelada pelos dois comentários acima só mostram falta de informação e uma visão muito, muito pobre sobre a profissão de professor. Deve ser por estas e por outras que a culpa é sempre do professor e nunca do aluno.. 🙂 Não sejamos simplistas! Como a ministra se farta de dizer: não peguemos num caso num universo de milhares e o reduzamos ao absurdo.
Abram os olhos, estes Jovens professores que vocês tanto vaiam são o futuro da nação. E como é que vocês os tratam? Como é que a grande maioria os qualifica? Como reles empregadas que recebem demais.
Estes professores querem a avaliação e não pedem mais do que diálogo por parte do governo e quando a ministra não ouve pelo menos ouve o resto do país. Entendem? Não? Pois, seria de esperar… aqui não há empatia, talvez porque não há informação…
…Desculpem qualquer coisinha
Já agora faço um comentário ao post do Ricjo… que é por esses que cá venho 🙂 concordo plenamente! O estado dos telejornais da tv pública é de facto hilariante! Dizes : “pareceu-me um pouco exagerado a cobertura e alarido que se deu a este evento” já não me lembro de ver um jornal na tv que não tenha o seu “quê” de exagerado… e se não há “grandes” notícias pra exagerar, exagera-se um porcariazita qualquer… o que interessa é chocar, fazer chorar, ou então enevoar o povinho. eheh
…já chega de monopolizar
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Peço desculpa, mas aqui ninguém menosprezou o trabalho do Professor ou o desvalorizou! Se interpretar bem o que foi referido acima, a crítica é dirigida principalmente à manifestação, jamais mencionei que um professor não trabalha e que muito menos desempenha um papel menos importante na sociedade! Mas cada um entende aquilo que quiser…Uma pequena observação em relação à “célebre” cobertura televisiva. Não segui em directo a dita cobertura, mas claro que o que é demais, é exagero. Mas segundo consta foi a maior contestação de sempre às políticas do Ministério da Educação e o maior protesto sectorial pós-25 de Abril, contando entre 60 a 70 mil manifestantes. Ora, grande a manifestação, grande a cobertura! Se tivessem feito uma cobertura de 10 minutos, seria de imediato a RTP alvo de críticas. Nem oito nem oitenta. Se bem que há que ter em conta que quem faz tais manifestações contacta todos os meios de comunicação para que estejam presentes…e dada a dimensão que “os manifestantes” quiseram dar à situação, não creio que estejam eles muitos descontentes com TAMANHA cobertura televisiva, porque deve ter sido esse «alongado» acontecimento noticioso que conferiu o grande impacto que teve a manifestação reivindicativa de Sábado, senão mal se tinha dado por isso, a não ser quem se tivesse «passeado» pelo centro de Lisboa nessa mesma ocasião.
Bem, antes de mais, agradeço-vos por terem oficialmente inaugurado este spot com um belo debate 😉
Este é um assunto polémico. E será sempre difícil, para não dizer impossível, obter-se um consenso. Baseei o meu post mais naquilo que achei da cobertura dada ao assunto do que outra coisa. E neste campo, referi-me unicamente àquilo que disserem e transmitiram antes da manifestação em si. Ou seja, mesmo antes daquilo ter acontecido, já enchiam minutos a fio com autênticos chouriços: o que interessa o percurso que os autocarros iriam fazer atá Lisboa? E os locais onde iriam largar os professores e posteriormente estacionar os autocarros? Isto entre outras coisas que acabei também por referir no post. É este aspecto da coisa que queria realçar. Quanto à cobertura dada ao acontecimento em si, creio ser normal dar-se a máxima atenção tendo em conta as razões apontadas pela Miss-I-Am-Free-Because-I-Belong-Nowhere. Claro que não se pode deixar passar em claro uma manifestação de tamanha constatação.
Em relação à manifestação propriamente dita, a verdade é que não me quis meter bem ao barulho dado o facto de não ter acesso diário a informação que me permita fundamentar-me como deve ser. E nos vossos comentários, creio que têm pontos de vista, quiçá diferentes, mas no fundo acredito que todos comungam e comungamos de uma mesma verdade: os professores são uma peça fundamental da nossa sociedade. Um dos pilares no qual a nossa sociedade está fundada. Mas também não deixa de ser verdade que todos nós, no decorrer das nossas carreiras de estudante, de uma forma ou outra, directa ou indirectamente, acabamos por conviver de perto com professores completamente acomodados aos lugares, sem qualquer ponta de evolução no modo de ensinar e pensar e que de bom pouco traziam às escolas e aos estudantes, não puxando, por vezes, pela cabeça e imaginação dos estudantes. É certo que a maioria destes casos se deu com professores já com “lugar cativo” nas suas escolas. E porventura, a larga maioria deles já teriam uma certa idade, o que pode ser directamente proporcional à teimosia e inversamente proporcional à vontade e capacidade de evoluir. Mas também é certo que também havia quem de idade não tivesse muita e que de capacidade real de ensino também não. E são estes professores, creio, que acabam por manchar a classe e que levam a que muita gente mande os professores darem uma volta quando os ouvem a reivindicar isto e aqueloutro. Mas a verdade é que de hoje em dia, ser-se professor implica uma grande dificuldade em arranjar-se emprego, de se fazer aquilo que se gosta. E uma coisa é certa: só se vai hoje para um curso de ensino se se ama mesmo muito a arte de bem ensinar, e por essa gente também eu desespero. Felizmente tenho familiares e amigos que têm a felicidade de poderem ensinar. E vejo o quanto trabalham em casa. Isto associado ao que fazem na escola, é de facto de louvar. Mas uma coisa é certa também: há muitas mais profissões que requerem o mesmo respeito por parte da sociedade, que sofreram reformas por parte do estado e que não passaram metade do seu tempo em manifs.
Consensos, creio haver apenas um: a importância dos professores. Para além disto, já é mais difícil 🙄 Mas que tudo acabe bem e que haja diálogo de ambas as partes, pois é assim que se conseguem compromissos.
[Mariana, há taaaaanto tempo! Obrigada por continuares a passar por aqui, apesar dos anos que já se passaram… Espero que estejas bem. E não tens nada que pedir desculpa* 😉 ]
Só + 1 achegazita…
Ric tocaste num ponto essencial do meu ponto de vista!
“há muitas mais profissões que requerem o mesmo respeito por parte da sociedade, que sofreram reformas por parte do estado e que não passaram metade do seu tempo em manifs”
Vai ao encontro de uma ideia que tenho, e que estou certo muito partilham.
Existem ainda em Portugal algumas classes privilegiadas; médicos, advogados, políticos… Uma mentalidade dos tempos da “outra sra.” que alguns dos mais antigos teimam em fazer subsistir.
É óbvio que este tipo de mentalidade não é exclusivo destas classes, nem pode ser generalizada. Mas que outra coisa explica que alguns professores, por exemplo, pensem que têm direitos superiores aos restantes portugueses: menos horas de trabalho, reformas antecipadas, etc.
Claro que existe uma nova geração de professores que nada tem a ver c/ esta mentalidade, na qual cabem muito velhos professores, daqueles que estão no ensino por vocação, e não porque os pais tinham posses para estudarem.