Inspirado por este post do Ricardo, pus-me a pensar na forma oposta como o acordeão é encarado em Portugal e França. No primeiro, o instrumento é associado ao foleiro, fruto da música popular portuguesa que é produzida com ele. No segundo, o acordeão é encarado como um instrumento de música charmoso, belo e inspirador, fruto também da música popular (e não só) que é produzido por cá com ele, tal como muitas das canções de Yann Tiersen, por exemplo.
Será fruto de preconceito? Não creio. Será do afamado complexo de inferioridade Português? Também não acredito. Trata-se simplesmente de uma questão de gosto musical. Senti-me tentado a escrever a palavra qualidade em vez de gosto, mas tal termo carece de objectividade no caso das artes e como tal, decidi não usá-la. Mas na verdade, e objectividades à parte, de certeza que 9 em cada 10 pessoas, fossem de que nacionalidade fossem, escolheriam o disco da banda sonora do Fabuloso Destino de Amélie a um disco do Rancho Folclórico de Freixo de Espada à Cinta, após a audição de ambas.
O mesmo instrumento musical e duas imagens/perspectivas totalmente opostas. Viva a variedade cultural.

Percebo isso na pele.
Toco acordeão. Não o do rancho folclórico, mas do Yann Tiersen, das valsas, mazurkas, e músicas portuguesas.
Acho que tudo depende da postura como é tocado. É bela a imagem de um francês a tocar acordeón, mas é estranha a imagem de um ceguinho português a tocar a mesma música no metro em Lisboa.
Quando digo que toco acordeão (atenção, não é fácil afirmar isto à vontade!), é tiro certeiro que me vão perguntar que músicas do Quim Barreiros é que sei tocar…
O acordeão é o instrumento mais completo que conheço, não é difícil fazer soar qualquer música, mas é difícil tocá-lo com suavidade, ou com “charme”, como dizes.
Conheço montes de gente que toca, conece quem toque, ou que adorava tocar acordeão, mas também conheço muita que tem o preconceito errado de ligar este instrumento a esses estereótipos. É uma questão de mentalidades, de gostos, e acima de tudo, de interesse em saber mais.
Ainda bem que conheces Yann Tiersen!
Antes de mais, muito obrigado pelo teu comentario, Rosa. E em segundo lugar, muito obrigado poe teres vindo partilhar uma experiência pessoal, sob pena de te expores um pouco num meio como a internet.
Eu tenho de admitir que ha uns anos atras sofria desse mesmo sindrome do Rancho&Quim Barreiros, quando pensava no acordeão. Mas admito também que actualmente, tla ja não me acontece. Yann Tirsen ajudou nesse processo, mas não so ele. O facto é que aprendi a gostar do som desse instrumento. Um pouco como o vinho, é se calhar um gosto que se vai ganhando e moldando à medida que os anos passam. Pelo menos no meu caso foi assim.
Acontece que em Portugal o acordeão é exposto praticamente de uma forma unica: tradicional, o que leva a projectar uma imagem que não corresponde totalmente à veradde e que acaba opr afastar pesssoas como aquelas que tu dizes que conheces e que gostariam de tocar o instrumento, mas que acabam por ficar receosos de o fazer. Creio ser um problema de imagem acima de qualquer outro, pois um acordeão quando bem tocado, é um regalo para os ouvidos 😉
E são acordeonistas como tu a quem cabe, também, mudar as mentalidades, espalhando o que de muito belo o acordeão tem!