
Cá de longe, à bom emigra, acompanho o noticiário da RTP em formato streaming no site do canal público. À hora do jantar, vejo o Jornal da Tarde do mesmo dia. À hora do almoço, vejo o Telejornal da noite anterior. E ontem não fugiu à regra.
Como bom Português, tento manter-me a par do que de bom (há algo de bom que se vai passando por esses lados, pergunto-me?) e de mal se vai passando pelo rectângulo. E ontem fiquei extremamente satisfeito e descansado ao minuto 20 do Jornal da Tarde, portanto ainda na secção de notícias com maior destaque, por saber que uma ponte de 350g de esparguete é capaz de aguentar até 50kg de peso. Fabuloso!, pensei. Já está resolvido um dos maiores problemas do país: a falta de dinheiro para a construção de infraestruturas e vias de comunicação. A solução é o esparguete!
Puta que pariu. Como é possível que um noticiário faça reportagem de um assunto destes, em primeiro lugar, e que ainda por cima o coloque na primeira meia hora do noticiário, espaço nobre do mesmo? Se isto é jornalismo de qualidade e essencial, então eu devo ser um canguru.
Olá
É bom saber que, mesmo fora, os nossos compatriotas continuam a seguir com interesse o que se passa neste canto à beira mar. Provavelmente com mais interesse que muitos dos que por aqui vagueiam.
Contudo, não concordo contigo neste ponto.
Não sendo de todo a minha área, e pouco percebendo do assunto, parece-me uma noticia até interessante. Certamente muito melhor que aquele jornalismo que carinhosamente na gíria se apelida de jornalismo “À Lá TVI”.
O concurso das pontes de esparguete já existe à alguns anos, e desde a sua primeira edição que tem contado com cada vez mais participantes em cada vez mais universidades. Sendo um concurso extremamente valorizado pelos docentes, pois implica a aplicação de muitos conhecimentos adquiridos que de outra forma seriam dificilmente aplicados (referindo-me à área de Engenharia Civil, para qual o concurso é especialmente direccionado), e aqui é feito de uma forma simples, com poucos recursos, e atrevo-me a dizer, até bastante didáctica. Evitando assim que se tenham que inventar rios para construir pontes.
Desta forma, fica-se com uma ideia de que tipo de estrutura pode aguentar mais peso. E quem sabe, se devido a um concurso “tão insignificante”, daqui a uns anos não se venha a construir uma ponte sobre um rio qualquer que venha a usufruir de alguma técnica aplicada no esparguete. Talvez com uma maior resistência, ou poupando toneladas de betão e aço! Quem sabe…
Certamente, não é a solução para os problemas do país, mas será que os 2 minutos deste artigo iriam ser preenchidos com a solução para os problemas do país? Talvez fosse melhor deixar estes 2 minutos, para os já 20 de futebol?
“Se isto é jornalismo de qualidade e essencial, então eu devo ser um canguru.” Não quero com isto te chamar canguru, e talvez o canguru até seja eu, mas para mim é bom saber que em Portugal se fazem concursos em que os estudantes aplicam com gosto conhecimentos, testam as teorias, e ano após ano aperfeiçoam as técnicas. Talvez seja uma gota de optimismo neste mar de coisas más e pessimismo que é Portugal, certo?
Ola’ Pedro. Antes de mais, obrigado pelo teu comenta’rio construtivo!
Em relação ao tema e à noti’cia em si, o que ponho verdadeiramente em questão é a sua colocação no prime time do noticia’rio, ou seja, na primeira meia hora. De certo que não se trata, nem de perto, nem de longe, do jornalismo (se é que se pode chamar como tal) com que a TVI nos brinda diariamente. E é uma noti’cia que tera’ a sua relevância, mas na minha opinião nunca com o destaque que lhe foi dado. O noticia’rio da RTP, por norma, tem na sua parte final va’rios minutos dedicados a notici’as menos complexas, ou mais light, se assim lhes quiseres chamar. E pessoalmente, a estar presente no noticia’rio principal da RTP, creio que esta reportagem so’ faria sentido ai’. Vendo a edição do Jornal da Tarde de ontém, não se percebe como é que deram 3 ou 4 minutos de destaque ao concurso de pontes de massa para depois darem cerca de 20 segundos a noti’cias bem mais importantes, como o fizeram no pacote de “noti’cias em suma’rio” apo’s esta das pontes. Isso é o que eu não compreendo nem concordo.
Depois, tendo visitado va’rios sites de va’rios meios de comunicação social Portugueses no dia de ontém, em nenhum deles me dei com esta not’icia. So’ no site do Pu’blico, existiam um sem nu’mero de noti’cias pertinentes e do forro nacional que não mereceram o destaque que esta not’icia mereceu. E esta noti’cia sobre as pontes de massa nem sequer aparecia no site (pelo menos nas not’icias em destaque) … E’ somente este questiona’vel critério da RTP que eu ponho em causa.
Se se construirem pontes no futuro que possam usufruir de concursos como este, que consigam aumentar resistências utilizando menos betão ou outro tipo de material, o’ptimo! Mas por essas universidades fora existem dezenas de concursos destas e de outras a’reas que poderão trazer os mesmos benefi’cios à sociedade, so’ que a larga maioria deles são remetidos para o programa 2010 da RTP 2, e não ao prime time do primeiro canal. E tratando-se o 2010 de um magazine de Ciência e Tecnologia, parece-me a solução mais correcta.
E para terminar, devo dizer que a aposta em investigação e tecnologias é de facto « uma gota de optimismo neste mar de coisas más e pessimismo que é Portugal, certo? ». Não podia estar mais de acordo!
Grande abraço!
Lol! Há pior! Mas ainda dá para o pessoal se rir. 😉