
Dificilmente esta época desportiva me poderia estar a correr de pior forma. Tanto o Benfica como o Tottenham não têm, à hora que escrevo estas linhas, uma única vitória nos seus respectivos campeonatos, passados que estão duas e quatro jornadas respectivamente. E os meus amigos do Chelsea, Arsenal, Liverpool e Man Utd fazem questão de não me deixarem esquecer esse pequeno pormenor. Ser adepto de glórias antigas tem destas coisas, tá visto.
Hoje desloquei-me mais uma vez a White Hart Lane. E hoje, mais uma vez voltamos a não vencer. Empatamos e para já estamos rock bottom, isto é, todas as equipas sem excepção nos olham de cima para baixo. Nada que me preocupa, pois bem sei que não vamos andar por essa zona da tabela no terminus do campeonato. Apenas e só queria partilhar a experiência que tive de assistir a um jogo sem golos do último classificado em casa, onde a desilusão entre mim e os meus camaradas era enorme. E é precisamente neste ponto que queria tocar. Durante os 90 minutos da partida, nunca se parou de incentivar o último classificado. Durante os 90 minutos, não se ouviu um único assobio ao último classificado. Cantava-se e gritava-se como se fossemos campeões europeus, como se fossemos a melhor equipa do mundo. Após o apito final, ouviu-se um “booooo”, num sinal claro de reprovação. Mas aí o jogo já tinha terminado e nada mais havia a fazer. Porque enquanto houve algo a fazer, todos remamos na mesma direcção, na convicção de que juntos é mais fácil sermos os melhores do mundo. Este é um cenário que jamais seria vivido num estádio de futebol português e diz muito da diferença de mentalidade entre ambos os países. São pormenores como este que fazem da Premier League o melhor campeonato de futebol do mundo.
“We are Tottenham, we are Tottenham, Super Tottenham from the Lane”