
Desde que cá estou, ainda não tinha lido o jornal The Times. Mas esta semana, dada a excelente campanha de oferta de grandes álbuns (The Doors, Joy Division, The Jesus and Mary Chain, Echo and the Bunnymen, etc.) que o The Times está a promover, obviamente que não deixei de o comprar. E bastou-me passar os olhos pelas gordas para perceber onde o grande jornal de referência Português, Público, se tinha ido inspirar para o seu make-over de há coisa de mais de um ano atrás, algo confirmado após várias leituras atentas. O alinhamento dos cadernos, as cores, o layout e, o mais gritante de tudo, o grande suplemento do jornal que no caso do The Times se intitula ‘Times2’. Qualquer parecença com o suplemento ‘P2’ do Público não é pura coincidência. Está lá tudo igualzinho. Até a secção cor-de-rosa está lá.
Este episódio fez-me imediatamente pensar nos infinitos formatos televisivos estrangeiros que ano após ano nos entram televisão adentro. Questiono porque razão não somos nós capazes de inovar na área dos media? Porque é que dá a sensação de termos somente versões Portuguesas de produtos estrangeiros? Obviamente, quando se imita algo bom e se consegue manter os mesmos padrões de qualidade do original, é de se louvar. Mas será que não nos conseguimos nunca livrar do complexo de inferioridade que tanto nos caracteriza e provar a nós próprios que por vezes também conseguimos ser originais e sê-lo com elevados padrões de qualidade?
Ric, de facto o Publico é uma cópia fiel do The Times. Na realidade este não é caso único na história dos jornais portugueses. Os jornais portugueses são estão assentes sob a tradição anglo-sáxonica de fazer jornais (a outra corrente é a americana), e assim é natural que se copie o que se faz no país de origem dessa tradição, neste caso a Inglaterra. Estou de acordo contigo quando dizes que é de louvar copia formatos e modelos que vêm de fora, o que não significa que haja o tal complexo de inferioridade, há sim falta de originalidade, competência e know-how. Posso dizer-te que grande parte dos jornais portugueses de nivel nacional têm consultores espanhois a trabalhar neles, e tudo o que passa no grafismo, modelo do próprio jornal passa por esses tais espanhóis. Sinceramente é uma prática que não entendo bem. Acredito que temos cá pessoas que fariam tão bem ou melhor esse mesmo trabalho. Por cá as ideias não abundam muito e tenta-se copiar o que vem de fora, só que na maior parte das vezes quem manda nos jornais parecem aqueles miúdos preguiçosos que copiam nos testes, mas são tão burrinhos que copiam mal. Se estiveres atento vais descobrir aí jornais e que parecem pais dos jornais de cá. Experimenta ver o The Guardian, sobretudo a edição de fim-de-semana, e vê lá se não te faz lembrar algo…
Aquele abraço
As notícias no http://www.publico.pt muitas vezes são traduzidas dos jornais internacionais.
Por vezes até encontras os erros de tradução…
Já pesquisei a web a ver se encontro jornais melhores (nacionais ou internacionais), mas ainda não vi nada. Se souberes de um fixe, apita aí.
Abraços de Viena,
Obrigado pelo esclarecimento, Paulo. De facto e’ estranho que se tenha de recorrer a Espanhois (na~o por serem Espanhois, obviamente) para tais cargos. Alia’s, e fugindo um pouco ao assunto, e’ como ter um Brasileiro ‘a frente da TAP. Duvido que na~o hajam pessoas competentes no nosso pai’s para assumirem tal cargo (apesar de no caso de gerir empresas, ta’ visto que elas esta~o muito mal entregues na maioria dos casos e na maoiria dos pai’ses, como agora se ve^ na crise da banca)… Ou contratar-se um jogador de futebol Brasileiro ao inve’s de darem oportunidade aos jove’ns nacionais. Atenca~o que na~o estou aqui a culpar os estrangeiros em geral ou os Brasileiros em particular (foi uma simples coincide^ncia referir-me a Brasileiros como exemplo), ate’ porque tamb’em vivo e trabalho no estrangeiro, mas esta falta de compete^ncia ou falta de valorizaca~o Portugue^s irrita-me sobremaneira.
Voltando ao assunto dos media, o mesmo se passou com o lancamento do 24 horas, baseado no format tablo’ide do The Sun e basta ler tambe’m a revista Blitz, por exemplo, para se dar de caras com uma larga maioria de trabalhos jornali’sticos importados e depois traduzidos. Mais de 50% da revista Mojo aparece traduzida na Blitz. O artigo capa da Blitz deste me^s (Beatles) e’ precisamente o artigo capa da Mojo do me^s passado. Tenho comigo as duas revistas e o artigo da Blitz e’ uma traduca~o literal do artigo da Mojo. Ok, um ou dois artigos importados e’ perfeitamente legi’timo (a secca~o Neon do I’psilon e’ muitas vezes feita de uma traduca~ao de uma artigo do Washington Times ou Washinton Post, na~o estou agora certo de qual. E ja’ agora, e’ impressa~o minha ou o I’psilon foi descontinuado pelo Pu’blico ?), mas no caso da Blitz, sa~o repetidamente muiti’ssimos mais. Enfim.
Pires, o Pu’blico pod ser baseado no The Times, mas devo dizer que o seu site e’ de muito bom ni’vel, na minha opinia~o, portanto podes continuar a baseares-te por la’.
[…] ou uma mania minha, mas as capas dos jornais Público e The Times de ontém, só vêm reforçar o que disse aqui há tempos. E se pensassem pela própria cabeça, […]