
É público o desgosto que apanhei por deixar Paris para trás, apesar de voltar para uma casa que bem conhecia. Mas apesar desse desgosto, uma coisa é certa, por Londres tenho um maior acesso àquilo que de novo se vai fazendo numa área das artes que tanto me agrada: a música. Simplesmente pelo facto da língua me ser natural, tenho uma muito maior tendência para ler material sobre música e sobre a onda indie que percorre a cidade de Londres. Aliás, de hoje em dia, ao que parece, o que é indie é o que está a dar por cá e esta etiqueta anda a ser usada totalmente em vão em tudo que debita informação musical, tornando mais difícil o processo de triagem do que é verdadeira e genuinamente indie, daquilo que simplesmente vai na onda do mesmo. Se bem que na realidade, indie ou cowboy, pouco interessa. Desde que tenha qualidade. Por Paris, ler uma revista de música requeria mais para além da simples atenção e gosto. Fazia-se, mas porra, que puta trabalheira (quem por acaso estiver interessado, recomendo a leitura do Le Mag Indie Rock, por exemplo). Por cá, lê-se enquanto um diabo esfrega um olho e com tanta viagem de transporte público que faço, tanto diariamente como ao fds, há sempre tempo para pôr a leitura em dia. E depois, também é engraçado ter a possibilidade de ler sobre os locais where it’s at e depois poder mesmo lá ir ver e ouvir com os próprios olhos e ouvidos, algo a que estive muitos anos vetado em Portugal por simplesmente não viver em Lisboa. E não fosse o acto de respirar em Londres tão caro, com certeza que tiraria ainda mais proveito. Mas já não me posso queixar. Aos pouco vou conhecendo os cantos à casa que mais me interessam (contando também com a ajuda preciosa de quem já por cá andava) e devagarinho a coisa vai-se fazendo.
Esta lenga-lenga toda apenas para apresentar uma banda que por aqui descobri e que recomendo a vós todos. São de Glasgow (há uma fornalha que anda a sair de lá) e chamam-se Dananananaykroyd (que grande homenagem aos fabulosos Ghost Busters!). Não me vou pôr aqui a fazer aquelas descrições manhosas que muitas vezes se lê na literatura musical, quando alguém descreve uma banda como se de um vinho se tratasse, indo buscar frases cujo sentido é no mínimo altamente ambíguo e comparações e inspirações artísticas das mais recônditas que existe. Não, não é isso que vou fazer. Apenas aconselho este bom som àqueles que curtam Pixies, Clap Your Hands Say Yeah e (pasmem-se!), os Zen. Esses mesmos, os Portuenses. Têm lá traços (involuntários, obviamente) desses senhores pelo meio.
A voz do vocalista Calum Gunn acaba por ser um pouco cansativo ao fim de algum tempo (tal como acontece com Black Francis nos Pixies, por vezes), mas outras vezes é surpreendente a pujança com que o senhor canta. E quando a banda toca alguns dos seus temos mais low-key, com uns riffs bem fixes, o homem canta em tons mais suaves e a coisa ainda é melhor.
O myspace da banda é aqui, onde podem ouvir 6 temas do seu EP de estreia, Sissy Hits, editado pela Holy Roar Records e que pode ser adquirido pela módica quantia de £5 (o meu já vem a caminho!) no site da editora. Para finalizar, deixo o link dum vídeo bacano duma versão especial do tema Black Wax, tocado pelos Dananananaykroyd para a revista The Fly.
Isto eram para serem apenas duas frases de recomendações, garanto-vos, mas os dedos é que mandam…