November 18, 2008 3

Dureza com dureza se combate

By in Sociedade

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Os Ingleses têm por hábito utilizar o tratamento de choque quando tentam lidar com certos problemas na sociedade. Obviamente que não em todos os casos. Mas em muitos deles, especialmente nos problemas relacionados com o vício, seja ele do tabaco, do álcool, da velocidade na estrada ou da violência. Eles não têm lampejo em chocarem as pessoas de modo a levá-las a alterarem as suas atitudes. E dado que esta política é utilizada há tantos anos, suponho que dá resultados. A continuar, portanto.

Não é incomum ir-se num autocarro/metro, ler-se um jornal ou ver-se a televisão sem ouvir/ler que num choque de automóvel a 50 milhas por hora, os nossos pulmões (por exemplo) continuam a viajar a não-sei-quantas-milhas-por-hora até embaterem na nossa caixa torácica, onde acabam por se romperem, provocando, naturalmente, a morte; Ou que nos elogiem por reciclarmos as garrafas de vidro que temos por casa, em número considerável, para em seguida afirmarem: “Wow… Tu bebes bué”; Ou, finalmente, que nos perguntem se tivemos um mau dia de trabalho e como é que nos vamos aliviar. “Com um copo de vinho? Uma bela refeição? Partindo o maxilar à nossa esposa?” (ver imagem).

São mensagens fortes que deixam marca. Quanto mais não seja, cria alguma reacção na primeira vez que as lemos ou vimos. E se no Reino Unido combatem desta forma o problema Britânico nas estradas (que neste caso específico não é tão grave como o de Portugal*), por exemplo, que teremos nós de fazer nós combatermos tal autêntica “guerra civil” que temos nas estradas Portuguesas, sepulturas para milhares e milhares de Portugueses, por exemplo?

* Obviamente que relativamente a problemas de (maus) comportamentos sociais, nem tudo é melhor e mais positivo no Reino Unido que em Portugal. Mas sinto uma maior força nas campanhas que têm como objectivo melhorar as coisa por cá, do que as que existem por aí. Infelizmente.

3 Responses to “Dureza com dureza se combate”

  1. Helena says:

    Não creio que essa violência visual faça mudar as atitudes a alguém. Os ingleses são diferentes, mas nem tanto. Esse pessoal que bate é analfabeto, não me parece que agarrem o jornal para ler. E se por algum motivo esbarrarem contra algum cartaz desses, temo que lhes dê uma ideia de como aliviar o stress, em vez de actuar como uma vozinha da consciência.
    Acredito piamente na recuperação e reinserção na sociedade de criminosos de todo o tipo. Mas a impunidade de uma vida inteira torna-os, neste caso, irrecuperáveis.

  2. Ric Jo says:

    Antes de mais, obrigada pelo comentário pertinente.

    Talvez os cartazes não consigam mudar alguém. Provavelmente tens razão nesse ponto. Mas não creio que possam incentivar, ainda que indirectamente, a violência doméstica. Provavelmente estes cartazes funcionam para aqueles que não são analfabetos, que não praticam violência doméstica mas que, por alguma razão ou por outra (sempre injustificado, claro), possam ter uma outra situação de nervos descontrolados e cair no erro de bater na namorada/esposa. Provavelmente a essas pessoas poderá ter influência.

    Quanto à recuperação e reinserção na sociedade, concordo contigo, mas creio uma utopia. Conheço pessoalmente caso de pessoas em Portugal que já foram presas por furtos menores e volvido À sociedade, voltam a praticar actos criminosos. Está-lhes no sangue e no espírito, se bem que isso jamais serviria como desculpa para algo que não tem desculpa!

  3. Helena says:

    Isto é uma discussão que dava pano para mangas. Nasci e vivi na Marinha Grande, antro de drogas e afins, sei bem o que são reincidentes e porque acontecem. Também aprendi um pouco a ser o advogado do diabo, tudo tem uma explicação que não o ” mal no sangue”. Nós não nascemos maus, o meio onde crescemos é que nos faz assim. Ou talvez esta teoria seja uma forma de desculpar os nossos erros e podres, desresponsabilizar-nos do nosso mal, mas ninguém é inteiramente mau, há pessoas mais fracas, só isso.
    Quanto à campanha contra a violência doméstica, até podes ter razão. Muitos crimes passionais são cometidos por gente, supostamente, culta.

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