March 16, 2009 7

Combate ao binge drinking

By in London, Opinião

Foi notícia por cá neste fds que o governo Britânico pondera introduzir uma taxa de £0,50 por cada ‘unit’ de álcool vendido no Reino Unido. Servirá esta medida para combater o fenómeno do binge drinking. Querendo isto na prática dizer que o preço das latas de cerveja e tudo mais que é álcool que estão à venda nos supermercados e off-licences, vão sofrer um aumento brutal no preço. A adicionar a isto, as promoções do género compre 5 e leve 6 serão proibidas. Os já elevadíssimos preços praticados nos pubs não sofrerão qualquer aumento, visto o seu preço excessivo cobrir a tal futura taxa.

Parece-me a mim que o governo do senhor Brown está completamente equivocado quanto a esta questão. Parece-me ridículo que alguém possa acreditar que os Ingleses vão deixar de consumir tanto álcool devido a um aumento no seu preço. Não será um aumento de uma ou duas libras por lata que acabará por evitar a aquisição da dita cuja. Mesmo que uma lata de cerveja passasse a custar £30, as pessoas deixariam de as comprar legalmente para o passar a fazer num mercado negro paralelo, com produto mais barato e de inferior qualidade. Ou seja, não é, nem de perto nem de longe, a solução para o caso.

A verdade é que os Ingleses bebem de caralho. E ver uma rapariga ou um rapaz totalmente estatelado no chão à saída de um pub é tão normal como ver um taxi preto nas ruas de Londres. É algo que de facto precisa de ser combatido. Mas combatido de uma forma correcta. E a mim parece-me que a forma mais efcaz de o fazer é através da educação e da mudança de cultura. O binge drinking está de tal forma enraizado por cá que só mudando as mentalidades dos mais novos e alterando a própria forma de beber em Inglaterra, se poderá ter sucesso.

Em vez de limitarem a larga maioria dos pubs a encerrarem portas às 23h, deveriam alargar mais os horários de funcionamento dos estabelecimentos públicos (já existem muitos bares abertos até à uma da manhã, mas não são suficientes), por forma a diluir mais no tempo a quantidade de álcool que se consume. É que beber 6 pints (ie, 3 litros de cerveja) em 3 horas tem obviamente um efeito mais nefasto do que se o mesmo for feito em 5 ou 6 horas. E  o grande problema dos Ingleses está no facto de quererem consumir sempre muito álcool, tendo sempre pouco tempo para o fazer – o tal binge drinking. Outro aspecto é o facto de a cerveja se beber sempre aos pints e não aos meio-pints como em Portugal, por exemplo. E falo por mim quando digo que no momento da minha chegada por cá, beber um pint levava-me o mesmo tempo que beber a mesma quantidade de cerveja em Portugal, ou seja, bastante tempo. Mas passado quase  um ano e depois de muitas horas de prática (lol), consigo empinar meio litro de cerveja (um pint) quase à mesma velocidade que uma imperial de 25cl em Portugal, logo o meu consumo num curto epaço de tempo também acaba por ser bastante superior do que o mesmo em Portugal.

Portanto uma das soluções seria a europeização da cultura alcóolica Inglesa. E se essa europeização foi bem sucedida em relação aos hábitos de café, não duvido que poderia igualmente sê-lo com o álcool. Cobrar cinquenta pennies por cada ‘unit’ de álcool nada resolverá e levará apenas à existência do mesmo número de alcoólicos, mas com menos moedas no bolso.

7 Responses to “Combate ao binge drinking”

  1. favacal.blogspot.com/ says:

    pá é uma tristeza… enfim.. por cá é a história do sal e da broa. o nosso querido governo socialista, grande pai prtector dos cidadãos e defensor do seu bem estar, não para com os seu tiques de querer controlar tudo.. enfim, é moda nesta triste europa..

    … olha vou ver agora isto: http://www.imdb.com/title/tt0411705/, parece-me que irias curtir… 😉

    abraço

  2. Ric Jo says:

    Parece que caminhamos para o protecionismo global. E’ deveras preocupante e urge fazer-se alguma coisa para impedir que tal aconteca. Mas quando se e’ criado desde do berco (como o sa~o as novas geraco~es) envolto de ca^maras de cctv e com governos que teimam em tomar todas as deciso~es por ti, propagando a mensagem de que assim esta’s protegido e o teu bem-estar assegurado, preve^-se uma luta difi’cil. O tempo corre a favor do proteccionismo.

    Hmmm… Na~o conhecia esse filme. O plot parece-me muito bem, indeed! Teve foi somente 5.0/10 de avaliaca~o, se bem que isso na~o queira sempre dizer alguma coisa. Orientas isso em divx na pa’scoa…? 😉

  3. Helena says:

    Tenho de concordar que cada vez que vejo as notícias levo um valente susto. Esta história de espalhar camâras, forçar-nos a pôr chips (pagos por nós), aumentar preços de tabaco, alcoól. Fazerem uma constante lavagem cerebral ao povinho com programas rídiculos com mensagens subliminares de que a conformidade é que é boa. Pior, essa mania paternalista de tomar decisões por nós, como se fossemos umas crianças novas demais para saber o que andamos a fazer, com foi o exemplo do “não-referendo” sobre o tratado de lisboa. Esta democracia tem um cheiro a 1984, ou Brave New World, não sei bem porquê… Talvez mais Brave New World com esta história da conservação criogénica de células estaminais, serei só eu a pensar que um dia poderão ter um uso errado?

  4. Ric Jo says:

    É o mundo de Orson Wells transposto para a realidade. É mesmo isso. Aos poucos, as ideias vão passando do papel para a realidade e nós vamos assistindo à coisa muito paulatinamente. E depois, o estado lastimável da economia mundial também ajuda à festa. Embora não tenha nada a ver, tem tudo a ver. O neo-liberalismo de Thatcher e Cª. (ie, menor controlo e fiscalização possível do sistema financeiro por parte do governo) – supostamente – deu neste buraco enorme que se vê e agora os governos têm justificação para passar a controlar novamente tudo e todos. É mais uma onda (desta feita gigante) a ajudar à vaga. Veja-se o Jerónimo de Sousa que na semana passada pediu a nacionalização total de todos os bancos e seguradoras nacionais…!! É do caraças.
    Aqui no Reino Unido, uma das características mais tipicamente Britânico, que é a ausência de um documento oficial de identificação, vai passar também à história, gastando-se milhões num controlo tipo-chip-em-cartão de todos os cidadãos.
    Quanto às células estaminais, confesso que a minha mente ainda não tinha percorrido esse caminho. Julguei e continuo a julgar que a investigação que se faz mundo fora e que se vai agora começar a fazer nos States, nomeadamente, é conduzida por boas razões. Mas daí, já nem sei… Pode ser que tenhas razão…

  5. Helena says:

    É… as investigações são sempre conduzidas por uma boa causa. Só acho curioso que as mesmas mãos que se dedicam a essas boas causas se dediquem também a causas menos próprias. Não percebo grande coisa de química, biologia e afins, mas acho estranho que na busca de curas milagrosas os cientistas tropecem sempre em vírus mais mortíferos e afins. A conservação das células é realmente um avanço espantoso, mas o homem tem sempre aquela ansia de se fazer passar pelo criador, n? Eu tenho a mania da conspiração, eu sei. 🙂
    O que realmente importa é que esta passividade incomoda, mas tb acredito que não durará para ser sempre. Pode ser que a crise dê uma ajudinha para acordar as mentes adormecidas aqui do ppl. Sempre quis viver uma revolução 🙂

  6. favacal.blogspot.com/ says:

    ric oriento isso e muito mais!!! 😉 bem, desculpa a reposta curta, mas vou para uma aula!!!

  7. Ric Jo says:

    Venha então daí essa revolução, que também quero um pouco! 😉

    Tiago, no probs. Na páscoa, se fores à Cidade Pequena, orienta então. Entretanto, atenção às aulas!

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