April 3, 2009 7

‘Recent scenes from Afghanistan’

By in Fotografia

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Esta foto parece retirada de uma qualquer cena do jogo Call of Duty ou Battlefield. Mas não é. É bem real. Uma série de excelente fotos do passado mês da guerra no Afeganistão, via The Boston Globe.

7 Responses to “‘Recent scenes from Afghanistan’”

  1. Helena says:

    Não tenho grandes conhecimentos de fotografia, pelo menos, não tanto como gostaria. Em termos técnicos, a fotografia parece-me bastante boa, em termos de “alma” não me parece que uma espingarda com vista para a morte seja “excelente”. But that’s just me 🙂

  2. Ric Jo says:

    Claro que em termos de alma na~o tem nada de excelente! Era preferi’vel na~o ter que haver fotos do ge’nero. Mas emprego aqui a palavra excelente na~o em relaca~o ‘a excele^ncia da foto (tambe’m sou totalmente leigo no que concerne ‘a fotografia e na~o sabiria dizer se em termos te’cnicos e’ excelente ou na~o), mas sim no sentido em que a colecca~o inteira representa de uma forma directa e (aparentemente) sem filtros a triste e cruel realidade que se vive naquele pai’s, realidade essa que na maioria das vezes e’ posta de lado em termos noticiosos por na~o haver petro’leo na regia~o. Te^m publicaco~es como esta o excelente me’rito de evitar que se esqueca o que de grave se passa por la’.

  3. Helena says:

    Compreendo o teu ponto de vista e tenho de concordar que tens razão. De facto, para nós “seres pensantes” estas fotografias não deixam esquecer o que se passa por lá, mas para a grande maioria das pessoas sádicas que aí andam, não passam de puro entretenimento. Por momentos, pensei que eras um aficcionado do soldadinho de chumbo, jogos e filmes de guerra, peço desculpa. O problema é que as pessoas não levam a imagem a sério, a não ser que esta diga “saldos”. Acredito piamente que muitas pessoas não sabem distinguir a crueldade de certas imagens que passam na televisão, da ficção de um filme de hollywood. Aliás, certamente que se comovem com um filme, ao passo que ver uma miúda ser chicoteada não lhes deve tirar o apetite. Agora de quem é a culpa disto? Será de um povo sem cultura ou dos meios que criaram esse “acefalismo”? Penso que os média se esforçam tanto por chocar que conseguiram desmistificar todo o poder inicial da imagem. A sede com que procuram poças de sangue e imagens chocantes, apenas faz com que a imagem da realidade pura e crua se torne numa mera produção televisiva.
    Diz-me lá como é que um povo que assiste fervorosamente ao definhar de uma celebridade que eles mesmo criaram, se pode emocionar com fotografias dessas?

  4. Ric Jo says:

    Tá-se bem, Helena! Compreendo também que o post era passível de ser interpretado da mesma forma como o fizeste. Aliás, com certeza que não foste a única pessoa a pensar dessa forma e como tal, agradeço-te a oportunidade que me deste de ter esclarecido quaisquer dúvidas. Mas devo no entanto dizer que sou um aficionado por livros de guerra, no sentido de aprender historicamente o que levou a elas e de que forma se proporcionaram. Muito diferente de ser um aficionado de guerra! 🙂

    Concordo também com a tua avaliação sobre a real eficácia de apresentações fotográficas como estas. Destas apresentações e da TV real que se assiste dia após dia em casa. É como dizes, as imagens de violência e crueldade estão de tal formas presentes na casa das pessoas de hoje em dia, que deixaram de ter a capacidade de chocar e mobilizar as pessoas. E aqui falo de uma forma demasiado cómoda, devo confessar. Pois apesar de me opor à larguíssima maioria das guerras (e digo isto assim, correndo o risco de abrir uma caixa de pandora, porque talvez guerras houve na história da humanidade que fossem necessárias), na realidade, para além de adiar infinitamente a minha ida à inspecção e de ter optado por nunca ingressar no exército, mais não fiz em termos reais para me opor a elas. E com isto falo de manifestações públicas ou talvez outros processos de cidadania anti-guerra. E é algo que me incomoda um pouco. E a culpa é de quem, perguntas tu? Acima de tudo, da educação geral que tivemos. Especialmente em Portugal. Somos ensinados a sermos cumpridores, passivos… mais um do rebanho. Seja na escola, seja em casa. É o que acho. E servem os amigos que não o são apenas mais um, para ajudar a educar os outros para que sejamos todos de outra forma. Tendo vivido em Paris, fiquei completamente chocado ao viver na pele a inconformidade daquele povo. É algo com o qual nós (pacatos) Portugueses temos a aprender. E com isto tudo, entramos na discussão (que já parece eterna) dos medias nacionais sub serventes ao governo, dependentes de agências de informação, etc. e dependentes dos nos números das audiências e vendas. Como não estou aí, não tenho o à vontade para comentar, mas pelo que tenho lido, parece que o Jornal da Noite da TVI às sextas-feiras (com a Sra. D. Manuela Moura Guedes), apesar de me custar elogiar a TVI seja de que forma for (especialmente pela sua informação!) é dos poucos meios informativos não sub servente a Sócrates. Volto a repetir, digo isto apenas baseado no feedback que me tem chegado via blogosfera, etc.
    E acabo a dizer que remataste muitíssimo bem o teu comentário. Entre Jade Goodys e Afeganistões, já se sabe o que convém mais à ordem pública e às audiências. Ficam (eles) todos a ganhar.

  5. Helena says:

    Guerras necessárias? Talvez… Como resposta a algumas guerras desnecessárias… Talvez. Não podemos deixar de nos perguntar “What if”?
    As notícias são manipuladas em qualquer lado, a verdade é que a verdade é cada vez mais um conhecimento raro. As notícias da TVI, podem não ter a mãozinha de censura do governo, mas a imparcialidade é um conceito que desconhecem e ignoram por completo, coisa que detesto e é completamente anti-informativa.
    De facto, os franceses protestam por tudo e mais alguma coisa, é fantástico e exagerado, aconselho vivamente a leitura do livro “A year in the merde”, é delicioso e, como não podia faltar, é feito também um belo retrato do emigrante português em França.

  6. Ric Jo says:

    Já li o livro 🙂 Foi-me oferecido por amigos Franceses quando vivia em Paris, eh eh. É muito bacano e retrata quase fielmente (é exagerado em alguns retratos) a sociedade Francesa. De certeza que querias era dizer emigrante Inglês e não Português, porque é disso que se trata. Um belo livro, de facto!

  7. Helena says:

    Nope, a personagem principal é um emigrante Inglês, mas se te lembrares bem, a porteira do prédio onde ele mora, vai ajudá-lo. É aí que entram os portugueses, que segundo ele comem todos os dias algo semelhante ao fish and chips, vivem na miséria mas têem um grande carro, e as personagens que trabalham nas obras com que ele vai viver durante um tempo também são caricatas, sendo que se comunicam em episódios de flatulência :). Vais ter de ler o livro outra vez 🙂
    O humor é sempre exagerado, por isso é que é humor 😉

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