Conversa de hoje, à mesa do almoço:
«Eu: B., como conheceste a tua mulher?
B.: Tinha três opções [i.e. três candidatas a esposas]. Tive um encontro de uma hora com aquela que viria a ser a minha mulher. Conhecemo-nos nesse encontro pela primeira vez. Na semana seguinte, decidimos casar.»
B. é Indiano, de famílias tradicionais Indianas. Mas nasceu e cresceu em Inglaterra, tal como os seus irmãos. Teve uma educação maioritariamente ocidentalizada e por esses valores guiou quase a totalidade da sua vida. Também andou envolvido com diferentes mulheres ao longo da sua juventude, one night stands incluídos. Também é materialista e tem ambições de carreira cooperativista como muitos. Bebe tanto ou mais do que eu. Mas na hora de casar, imperou a tradição e honra Indiana.
Damn, não percebo nada desta merda.

Tenho um argumento.. que pode ser discutido no jantar de 6ª feira.. 🙂 nós ocidentais vivemos numa crise de valores, principalmente de valores religiosos e de preservação de tradição, muito porque consumimos só cultura ocidental, muita dela fora da nossa realidade. A cultura indiana não tem 2000 anos, tem mais uns 2 ou 3 em cima, é outra maturidade!
Quem quiser ou puder… procure ler aquelas cartas da qual so lemos o título, emanadas da igreja católica e talvez compreendas melhor que no ocidente vivemos anémicos de religião, por um lado pq a pp religião se afastou da realidade, mas também pq em termos de conhecimentos, ficámos todos na escola prímária da fé!
O teu amigo indi, provavelmente te dirá q acreditas nos seus deuses e por muita vida boémia… é um sistema milenar, que para eles funciona!
Talvez tenhas raza~o nalguns pontos, mas deixo aqui apenas um exemplo de uma forma muito ra’pida, pois tenho de trabalhar! Por mais que um jovem cato’lico, tal qual eu e tu, nascido no seio de uma fami’lia cato’lica, que foi baptizado, fez a catequese toda e que ia ‘a missa enquanto era novo (por obrigaca~o, mas ia), por mais acredite na sua religia~o e que tenha genui’na fe’, dizia, mesmo apanhando os copos, tendo vida sexual activa e variada, etc. e tal, vai escolher uma mulher virgem com quem casar, na~o usar preservativo e ter relaco~es sexuais apenas com o intuito da reproduca~o?
Na~o compreendo como se absorve e se vive totalmente com os valores ocidentais durante 30 anos e chegada a altura de casar, se escolhe os valores hindus, totalmente di’spares dos valores com que viveu durante toda a sua vida. Ainda para mais sa~o valores bastante discuti’veis e duvidosos(na perspectiva ocidental), neste caso.
Como disse, fui criado na religia~o crista~, mas na~o deixarei de casar (se casar) com alguem que na~o seja virgem (dEUS me livre! Lol) e nem deixarei de usar preservativo se assim o entender! Ou bem que se assume a religia~o como forma de vida ou na~o, creio. Mas atenca~o, isto apenas em relaca~o a casos extremamente se’rios como e’ o de se casar com alguem, por exemplo.
oh pá.. juro que preferia deixar isto para 6ª feira.. mas tenho q responder! (correndo o risco de ser ensombrada pelo cognome de freiroca!)
1. A igreja católica não exige actualmente a virgindade para um casamento!
2. se perguntares a alguém que fez o curso de preparação p noivos, vais ficar informado do seguinte – a igreja católica não é contra a relação sexual, (consideram-na inclusivamente como a vivência normal de uma relação de Amor,) sem a intenção de procriar.. é contra os metódos artificiais de contracepção, pq os entende como um ataque à vida, mas… lá está – no CPN explicam aos jovens casais qdo e como ter relações sexuais sem contracepção e reduzindo ao máximo o risco de engravidar :)!
E na tua exposição disseste bem – eras obrigado a ir, não assistias por convição! Essa alma indi, é hindu por convicção! ce trés diferent! 🙂
Ok, ok! Deixemos isto para sexta-feira, enta~o! 🙂 Ate’ porque o meu contacto com a Igreja cessou aquando do fim da minha vida escutista, ou seja, ha’ mais de uma de’cada, logo na~o estarei nas melhores condico~es para questioner as tuas afirmaco~es! 🙂 Fiquemos por agora no modo “pause” e carreguemos no “play” na sexta-feira 😉
por mim, acho que deviam tirar isso da pausa, porque ha quem nao va estar la na sexta e a conversa ate esta interessante!… Quanto a diferentes religioes/tradicoes, comichoes/tolerancia, ja entrei no modo pausa/indiferenca. Haja liberdade, seja cada um como quer e acredite cada qual no que quiser, anda por ai muita gente feliz! De formas que a nos nos parecerao bem estranhas… Como ha uns anos andava na moda, “todos diferentes, todos iguais” Muitas vezes mais do que parece! Abraco, bom fim-de-semana na cidade pequena! JC
Oh pá, acho que aqui a religião e cultura não vem muito ao barulho na decisão do indi, sendo apenas o meio em que ele se vê envolvido. De forma sintética, contaste-nos uma “rábula” verídica de alguém que pelos vistos achou que estava a tender para velho e reparou que estava a ficar para tio, dado que andava a “penicar” aqui e acolá nesta mui liberal cultura ocidental, que permite encontros casuais, one night stands, que em nada ajudam à tal estabilidade emocional e amorosa que se exige e que proporciona muitas vezes o casamento, mas também esta mesma cultura liberal incentiva e facilita encontros entre pessoas que estão disponíveis para fazer “amizades ou algo mais”. Decidir que tá na altura de casar pode acontecer a qualquer pessoa de qualquer cultura. O que aconteceu aqui com o nosso amigo indi foi que ele sentiu a pressão de casar por imperativos histórico-culturais, religiosos e familiares (whatever) aos quais ele não deve ser indiferente porque deve privar com familiares e muitos amigos hindus, e usou os mecanismos que a cultura em que vivia oferecia, mesmo que não sejam os mais “ortodoxos” a nosso ver. Diria até que é tudo uma questão de “gosto” no método para chegar a um fim. Eu gosto mais do método de conhecimento e decisão a longo prazo… ou seja, tou em prospecção e só lá para os 35 penso casar! Também não tenho a pressão hindu em cima, graças a Deus!!! hehe