
Ric Jo descobriu hoje que os seus pais são amigos de um senhor que fez rádio numa das mais conceituadas estações de Portugal durante quatro anos e que tem (como investimento pouco rentável) uma rádio em Portugal, a qual está disposto a ceder para exploração sem qualquer tipo de custo.
Ora foda-se. Tivesse sido há uns anos atrás ou tivesse eu agora sem onde estar todos os dias das 9 às 17 e 30, e lançar-me-ia de cabeça. Acredito que o indie-folclórico marcaria pontos com o povinho das aldeias. Eh eh.
Para falar à Jardel, nada como plagiar o Facebook.
se essa rádio tivesse retransmissão além fronteiras, até seria boa ideia. nada como mergulhar de cabeça num novo projecto e trocar o lugarzinho seguro por emoções fortes e sem certezas do amanhã…
mas, se li bem nas entrelinhas, estás a falar duma micro-estação de rádio que deve cobrir apenas a região de ourém (?) – ora, isso significaria ficarmos (eu e os meus colegas de lab) privados dos teus podcasts…
conclusão: não acho boa ideia 🙂
É de facto uma rádio local (de uma terra que não de Ourém).
Muito agradecido pela mensagem elogiosa! Mas de facto não iria agora trocar o certo pelo incerto, ainda para mais numa rádio local. Seria de loucos. Aquilo só funciona mesmo com o que o povinho gosta de ouvir e isso seria algo de verdadeiramente bradar aos céus, lol. Fica apenas o sonho utópico de um dia poder guiar uma nau dessas sem constrangimentos financeiros. Afinal de contas, o tag de ‘devaneio’ assenta que nem uma luva no post, pois não passou disso mesmo 🙂
O povinho tem rebentos, e os rebentos se calhar gostam de outra coisas… sei lá. É por essa descrença das potencialidades do povinho que o nosso interior está como está.
Se o senhor está disposto a ceder a rádio, quem sabe se não será um bom projecto a longo-prazo, para não teres de desistir dos teus projectos actuais. Cá por estes lados bem precisamos de rádios que não tenham sido invadidas por música estranha que parece gravada na casa-de-banho e com efeitos de vozes sintetizados tão agradáveis como o cheiro de esgoto!!
Desculpa o desabafo…
🙂 Desabafo aceite! Apenas falei por experiencia propria. Num dos casos que vivi, fui DJ num bar de uma zona que nao sendo o interior, era rural. A ideia era apostar em musica que nem sequer era ‘alernativa’, mas que apenas fugia ‘as playlists comuns das radios nacionais. Achas que funcionou? Nope. Quando eu, para bem da sanidade financeira do bar, decidi sair apos dois meses e entrou o DJ seguinte para passar os “Boooombas” com “movimento sensual e movimento sexy”, lol, aquilo comecou a render bues. E’ a lei do mercado e contra factos nao ha argumentos. Por mais bonita que essa imagem que pintaste seja (porque e’ de facto bonita), nao deixa de ser utopica, infelizmente. E quem pegar numa radio local rural a pensar que pode educar os seus ouvintes, ou tem as costas largas (i.e. bolsos fundos) ou anda a sonhar, infelizmente.
Ja agora deixo o excerto de um paragrafo que escrevi a uma radio nacional onde debatia a “educacao musical” que se poderia (e deveria) fazer nas radios noticiosas como a TSF e Antena 1:
” (…) [o que está mal é] a falta da cultura de dar cultura (passe a redundância) ao povo e pô-lo a descobrir música boa, música que faça pensar, para alem daquela que lhes é enfiado pelos ouvidos abaixo pelas TVs e larguíssima maioria das rádios portuguesas, pois se uma pessoa passar a ouvir certa canção varias vezes por semana durante certo tempo, vai acabar por afeiçoar-se a ela e em alguns casos, levará a pessoa a querer conhecer mais. E isto independentemente de ser Paulo Gonzo e Celine Dion ou Fleet Foxes e Dead Combo a tocar. E rádios como a Antena 1 ou a TSF podiam educar as pessoas, ensinando-as a ouvir e conhecer aquilo que vale a pena ouvir, entre informação e publicidade, ao invés de passar chouriços para encher. Eles que substituem um mês de Chris de Burgh por Beirut e vão ver se o director da empresa X, que vai ouvindo o noticiário a caminho de casa todos os dias no carro, não vai aprender a gostar da banda de Zach Condon…”
E’ justo dizer-se que a TSF, antes da (re-)entrada de Emidio Rangel para la ha coisa de uns anos atras, fazia precisamente isso. Infelizmente tudo depois mudou para pior.