É que ao escutar todos os discursos de todos os cabeças de lista de todos os partidos que elegeram deputados, parece que todos ganharam. Ou melhor, ninguém perdeu. Uns porque apesar de não ser maioritária, conseguiram a vitória depois da derrota nas Europeias. Outros porque os primeiros não venceram com maioria absoluta. Aqueloutro porque conseguiu roubar a maioria absoluta aos primeiros, subindo ao mesmo tempo o seu número de votos. E os restantes dois, porque subiram de número de votos, sendo que um deles se afigura porventura como opção única (e perversa) para governo maioritário em coligação.
Bom, ao menos são todos felizes. Resta saber se Portugal também o estará daqui a quatro anos. E já agora, correndo o risco de estar a errar ao declarar isto (porque não fiz a pesquisa para comprovar o que vou agora escrever), teremos porventura o maior número de deputados socialistas trotskistas e marxistas de todos os países europeu ocidentais. E a ver os casos onde o socialismo prevalece mundo fora, não será porventura grande auguro. Corrijam-me se estiver enganado.
Foto do jornal Público.

Não podia discordar mais…
Em primeiro lugar, o socialismo de hoje em dia, embora tenha as suas fundações nas ideologias que referista, é um pouco mais moderno. Sei que por vezes os políticos não parecem humanos, mas também aprendem com os erros. Aliás, basta olhar aqui para a vizinha Espanha, para perceber que o socialismo não a transformou num estado socialista totalitário, onde o estado é o único detentor de poder e riqueza. Isso é história, e infelizmente, uma história bem triste para quem a viveu.
No entanto, também tenho de ser honesta e dizer que não estou assim tão segura da modernidade do Bloco de Esquerda, por exemplo. Pelo que, provavelmente, daqui a quatro anos, já não contarão com o meu voto. Ainda assim, não existe melhor oposição e têm feito um excelente trabalho.
Acredito piamente na democracia, e acredito que só pode funcionar se houver um equilíbrio de ideologias políticas no parlamento.
Tendo em conta que a esquerda moderado do PS se situa mais à direita que à esquerda… acho que ontem se conseguiu um óptimo equilbrio. Além disso, a extrema direita também obteve a sua vitória.
Quanto a prognósticos… “só no final do jogo” (eheheh). Mas acho que independentemente do partido que estiver à frente do país, o país só sairá deste buraco quando se fizerem políticas de pessoas para pessoas e não de políticos para políticos, como se todos nós não passássemos de peões num jogo de estratégia, quando as pessoas se começarem a importar com o que se passa à sua volta, e, finalmente, quando os nossos políticos deixarem de nos tratar como uns ignorantes que não sabem o que fazem ou em quem votam, como insinuou ontem o Rui Rio e o próprio Sócrates aquando do Tratado de Lisboa. Seria bom que, de uma vez por todas, o povo começasse a ser ouvido nas decisões que afectam a sua vida. Isso sim, seria uma democracia.
faço minhas as tuas palavras, r.j. apesar de parcialmente partilhar a opinião da tua amiga h.
para mim a melhor definição de democracia, é o exemplo suíço – que funciona como confederação e não república. um pouco como os estados unidos da américa, onde cada estado (neste caso, cantões) têm as sua próprias regras/leis.
existem as leis federais (que abrangem o país), as leis cantonais (que abrangem o cantão) e as leis do município (“commune”). (quase) todas as leis passam por referendo. o próprio cidadão pode requerer o referendo sobre determinado assunto (para tal tem de reunir um certo número de assinaturas). para requerer a nacionalidade helvética, é necessário a aprovação dos vizinhos (somente eles podem decidir se és bom ou mau cidadão – o que promove a boa vizinhança)…
dar a palavra ao povo. e acredita, o sistema funciona. o problema é que em portugal, se já é complicado levar as pessoas às urnas para eleições que ocorrem de 4 em 4 anos… imagina a percentagem de abstenção se implementassem uma confederação…
“Além disso, a extrema direita também obteve a sua vitória.”
Quer isso dizer que o CDS e’ extrema direita?!? Ou o PNR obteve alguma vitoria?
Na minha opiniao, no panorama politico em portugal,, quase todos os partido sao de esquerda, ou de tendencias socialistas. Ate’ o proprio CDS…
O socialismo, por mais bonitos que sejam os seus objectivos, mais ou menos utopicos, requer sempre um peso (intervencao) cada vez maior do estado na sociedade e cada vez menos liberdade das pessoas (atraves de burocracias, mais e mais leis, e acima de tudo, mais e mais impostos para sustentar a maquina do estado e o cada vez maior dependencia dos cidadaos das “redistribuicoes” do estado).
O resultado final de politicas socialistas e’ – sempre foi e sera’ – um pe’ssimo resultado. Comeca pela exigencia de igualdade de oportunidades (o que esta bem e onde devia parar) para depois se comecar a exigir a iguladade de resultados (passar de ano sem chumbar, obter rendimentos sem trabalhar, etc) e finalmente leva ao bloqueio do funcionamento da sociedade embrenhada numa enormidade de ruglamnetos e mais regulamentos asfixiantes (necessario a implementacao dessas politicas socialistas)
O resultado final final, ‘e a igualdade na mediocridade e pobreza. Embora hajam uns mais iguais que outros (vide O trinfo dos porcos).
Enfim, na minha opiniao, o socialismo ‘e racionalmente um pessima filosofia. O colectivismo nao pode ser forcado, deve partir da livre vontade das pessoas. O “povo” nao ‘e uma entidade mas antes um conjunto de pessoas individual, com ideias e vontades proprias.
E pronto,’e a minha opiniao. De um liberal classico: menos estado na vida das pessoas.
Nesse sentido, ninguem “ganhou” com estas eleicoes, embora nao tenha piorado…
Miguel
Sem sobra de dúvidas que lemas como : “Pelo personalismo cristão: um compromisso popular e europeu” e Pela Democracia Cristã, com a AD renovar Portugal”, não deixam dúvidas que esse partido central se situa mais para o lado do fascismo do que do socialismo. Religião, família e política… Deja vu…
A minha opinião política foi grandemente influenciada pela minha experiência. Vivi na Marinha Grande, sendo filha de vidreiros. Vivi com eles todos os abusos por parte de partidos sociais democratas, e a sua luta incansável por direitos tão básicos como maior protecção ao trabalhador para este receber o seu salário no final do mês, o tão adorado 13º mês que o Mário Soares lhes tentou tirar e tantos, tantos outros.
Tinha cinco ou seis anos quando invadi o parlamento com o meus pais e os seus camaradas vidreiros. Vi o meu pai ser preso por lutar pelos seus direitos, porque não tinha dinheiro para comer e porque os partidos sociais democratas não interviam, apenas interviam no que lhes interessava.
Também tive a grande honra de conhecer pessoas desse tão negro comunismo de que o Miguel fala e que salvaram o país do Estado Novo. Pessoas que foram torturadas, mas que sobreviveram graças à sua crença nessa “péssima filosofia”.
Felizmente, tudo evolui. O comunismo não é o que era e enquanto lutar pela defesa dos mais desprotegidos merecerá o meu voto.
Concordo plenamente quando se diz que o BE tem sido porventura a melhor forca de oposicao a Socrates nestes ultimos quatro anos. Nao duvido nada disso. Mas se quando o Bloco ainda nao tinha sequer representacao no hemiciclo, transparecia ser um partido porventura diferente dos demais (isto e’ sem grande apego ao poder, quer fosse por exemplo pela rotatividade dos seus deputados que prometiam– algo que acabaram por cumprir, quer fosse pela ausencia de uma figura maior do partido, tipo secretario geral), a verdade e’ que o BE foi crescendo e ganhando os vicios que os restantes partidos politicos de grande influencia no pais te^m. Acabaram por ter um lider eterno (tanto criticam a ala conservadora do PCP, mas a verdade e’ que ali, apesar de figuras como o Miguel Portas ou Fernando Rosas, e’ Louca que lidera o rebanho sem se ver qualquer tipo de contestacao – e nenhum lider reune um consenso total, seja em que actividade for) e por criar a tal “esquerda caviar” em que apregoar as mensagens socialistas e’ muito bonito, mas segui-las nem por isso (veja-se o caso das PPR do Louca). Mas mesmo assim, congratulo-me com a presenca deles na Assembleia da Republica. Mas como forca menor e apenas para agitar as aguas. E nao com o poderio que comecam a demonstrar, pois acho sinceramente que a larga maioria dos Portugueses que vota no BE nao sabe bem aquilo que o Bloco defende. Nacionalizar agora a Galp, EDP, REN, etc. nao soa a um qualquer pais sul-americano cujo presidente e’, por acaso, grande “companero” de Socrates?
Essa esquerda socialista tera sempre razao de existir, precisamente para dar voz ‘as classes trabalhadoras. E nao creio que alguem ponha isso em causa. Mas dai a te-los em poder (mesmo que por coligacao), vai um bocado (se bem que ja teve mais longe). Ja agora, nao foram so os comunistas que lutaram pela democracia em Portugal e que foram acabar ‘a cadeia. Figuras ha, tanto do PS como do PSD que passaram e lutaram pelo mesmo, mas por vezes parece que so o PC tem o direito de reclamacao de tal (grande) luta. E nao me parece certo.
Quanto ao exemplo da Suica, se a coisa de facto funcionar assim, creio que e’ de louvar esse incentivo ‘a cidadania. Ca por Portugal e UE, nao se ve nada disso, ou ve-se pouco. No caso do referendo do aborto, por exemplo (o qual era – e sou – a favor do sim), o povo ainda ha poucos anos atras tinha falado e dito que o rejeitava. Mas mal entrou para o poder, o PS nao descansou ate que a lei fosse aprovada. E ainda bem que foi! Mas pareceu-me um desrespeito ‘a palvra do povo que poucos anos antes ja tinha dito que nao. Pior ainda com o Tratado de Lisboa, em que sempre se prometeram referendo Europa fora e logo que a Franca e Holanda deram o seu nao ao primeiro tratado, para onde foram os restantes referendos para aprovar o Tratado que era “porreiro pa”? Na Irlanda rejeitou-se a Constituicao Europeia e o que vai acontecer? Vao continuar a referendar ate que o resultado lhes seja favoravel. A verdade e’ que nao ha o habito de cidadania como na Suica. Raras (ou nunca) sao as vezes que oico noticias relativamente a crises politico-sociais na Suica, isso e’ a verdade. E nao creio que seja devido a censura, logo a coisa deve funcionar mesmo.
Eu so sei que nao quero viver num estado paternalista e controlador. E tambem sei que nao quero viver num estado onde a lei do mais forte impera e onde os mais frageis sao descurados. E’ que ter uma ponta ou a outra do espectro politico sem ser de forma moderada e’ algo bastante dificil. E porquanto, em Portugal, apesar de tudo de mau, o PS e o PSD sao os que demonstraram ate agora serem os que mais moderada e equilibradamente conseguem manter essa dicotomia.
Helena,
Cresceste envolta de ideais comunistas, ‘e dificil saires desse dogma.
O cds, ‘e obviamente mais de direita, agora chamar-lhe de extrema direita ‘e bastante, demasiado, forcado.
Quanto ‘a marinha grande, la trabalhei durante 10 anos numa empresa q foi ‘a falencia. Resultado, fiz-me a vida, procurei outro trabalho, nao fui exigir que me outros me dessem de comer. Pq antes de tudo, os primeiros responsaveis por cada um, somos nos proprios. Nao o estado “pai”.
Agora estou noutro pais, onde a empresa onde trabalho acabou de fechar. Que vou fazer? procurar outras oportunidades onde tiver de ser.
Quanto ao 13 e 14 mes, isso soa bem para quem nao faca contas. Simplificando, um ordenado mensal 1000 euros, da por ano 14000. Ou seja, recebendo apenas 12 ordenados, o valor do ordenado seria 14000/12=1167 €. Percebes o q quero dizer?
Aqui em inglaterra nao ha 13 nem 14 mes. Quando procuras trabalho falam-te de quanto ganhas por ano, nao por mes.
O 13 e 14 mes nao passa de uma armadilha dos governos para mostrar que obrigam as empresas a pagar 14 ordenados. Talvez pq politicamente parece bem. Mas tb nao passa de um paternalismo disfarcado, como quem diz que as pessoas recebendo o mesmo salario anual em 12 prestacoes, nao saberiam organizar-se por elas para ter dinheiro para o natal e as ferias.
Enfim, sao opinioes. Respeito a tua mas respeito mais as que sao resultado de pensamento mais racional e menos emocional.
Miguel
Nada disso. Eu não sou comunista. Tal como disse no primeiro comentário, voto no BE por representar uma forte oposição, no entanto, se ficare forte demais deixarei de votar nele.
Gosto realmente do idealismo comunista, e é impossível não gostar, dada a minha ascendência, mas isso não me cega os ideiais. Apenas não gosto de ver que o comunismo/ socialismo em si sejam injustiçados, quando na verdade são as pessoas que falham. As pessoas ganânciosas e ambiosas. Mas e daí os autores do comunismo foram verdadeiros pulhas, há que dizê-lo. Sei bem que é tudo mais bonito no papel.
Quando ao CDS, foi uma mini ofensa (exagerada), mas que não retiro…
Quanto a essa história do desempregado a pedir comer… A história não é bem assim. Isto aconteceu muitos anos antes das fábricas falirem. As pessoas não se lembram, mas o código do trabalho não era bem o que é hoje e alguém teve de lutar por isso (quer dizer, entretanto já perderam muitas coisas pelo caminho). E se alguém nos conseguiu certas regalias, simplesmente não vejo o porquê de abdicar delas. É-me indiferente receber 13ª no fim do ano, ou todos os meses, como muitas empresa começam a fazer, pois o pagamento representa um grande peso fiscal no último mês do ano e nos meses das férias. Aliás, eu nem sequer recebo pq trabalho por conta própria.
Enfim, independentemente do partido que esteja no poder, o que o país precisa mesmo é de respeito pela opinião pública (como já tinha dito). Apenas isso. E não acho de todo q Portugal corra o risco de se tornar numa Venezuela. Afinal de contas, agora pertencemos a algo muito maior, à qual temos de prestar contas, certo?
tanto dogma
Mas no final basta apontar o dedo e já ninguém é de ninguém e se o são talvez não seja pela ideologia mas por outras quaisquer razões 🙂
Sejam por um país maior e mais forte
Quem lutou lutou por na ideologia .