February 18, 2010 23

Do you see what I see?

By in Polítiquices, Portugal

Estes senhores que jocosamente criam cortinas de fumo de forma diária, num país que ainda não caiu na sua própria realidade dura, ou são muito ingénuos ou então bastante cegos. O anúncio de ontem em que gabava que o contracto de confiança com as universidades permitirá que mais 100 mil pessoas obtenham, em quatro anos, qualificações no ensino superior só pode ser levado com uma boa dose de humor. Querer criar a ilusão de que esta será uma solução positiva para um país cujo tecido empresarial não consegue já sequer absorver a quantidade actual de licenciados é de muito mau gosto e demonstra que mais do que querer seriamente resolver os problemas avassaladores do desemprego no país, o governo está apenas interessado em ticking boxes, cumprindo com os números com que com certeza um dia se comprometeu. Só que Portugal não são números. Portugal são pessoas que vivem numa realidade que os senhores ministros desconhecem e teimam em continuar a não conhecer.

23 Responses to “Do you see what I see?”

  1. Cátia says:

    Concordo com Li! excelente! Muito inteligente e bem escrito, como é costume! Beijinhos

  2. Helena says:

    A qualificação em si é uma anedota. Basicamente estão a criar licenciados com o mm nível de especialização de um miúdo q acabou o 12º (há uns anos, qd aprendiam alguma coisa). Parece que estão a criar uma legião de estúpidos pronta a ser liderada sem questionar. Os nossos jovens estudantes estão cada vez mais burros, portanto, daqui a 10 anos, não será tão estranho ver um licenciado a servir cafés.
    Também é um grande contra-senso que tentem formar a população e ao mesmo tempo continuem a dar milhões a empresas que apenas vão ficar aqui enquanto a mão-de-obra se mantiver não-qualificada e barata.
    Enfim, no comments. Continuo a incitar à revolução, principalmente hoje, que passei a tarde nas finanças e seg social e estou com uma azia desgraçada.

  3. eu says:

    Como em tudo na vida existe uma verdade em cada palavra. Ainda temos é um pais onde se penSa que só por se ter estudado 17 anos, se passa a ser um ser superior. Passamos a ter ferramentas para ser um pouco mais DIVERSIFICADOS, mas cavar um terreno, lavar umas escada não é um trabalho menor, assim como tirar umas fotocópias. Ter um curso não é sinonimo de se ser superior, pode se ser tb um desempregado. Acho que o dinheiro que é investido na possibilidade de se estudar um pouco mais não é um desperdicio. Estudar é uma forma de encher a Alma. AINDA TEMOS É UMA MENTE PEQUENA QUE SE ACHA SER DR. OU ENGº UMA GRANDE COISA. NÃO É NADA.

  4. Helena says:

    Acha? É engraçado. Porque eu vivo num país onde existem aos pontapés Srs. Drs. Engs.º que tiraram a licenciatura ao domingo e esses, sim, têm a mania da superioridade. De resto, conheço uns desgraçados que têm mentir sobre as habilitações para conseguir trabalho, caso contrário dir-lhes-ão que têm qualificações a mais para o cargo. O que terá isto de superior?
    Isso de que fala é uma linda utopia, porque, de facto, estudar é encher a alma. AGORA ENCHER A ALMA POR 900 €/ANO é muito pouco gratificante. Não é pecado estudar para ambicionar ter uma vida melhor que os pais. Aliás, é um ciclo da sociedade que não é repetido apenas em Portugal.

  5. Anonymous says:

    A questão é exactamente essa, a minha vida não tem que ser melhor que a dos meus pais, é a minha vida.

    É esse salto que a geração agora tem que dar. Os nossos filhos ( no meu caso já o meu avó era licenciado) não tem que ganhar mais que os pais, ter uma profissão que seja mesmos física que os pais. Ter uma licenciatura e ter um trabalho menos físico não é sinónimo de felicidade ou de satisfação. Quantos Dr.s e Engos se conhece que seriam muito mais felizes a pintar paredes ou a fazer outra coisa que não ser um licenciado e aquilo ” que é suposto ser” melhor vida que a dos pais. Por isso é que deixamos de ser um pais produtivo.

    Mas isto é uma conversa muito longa, que deve ser tida entre pessoas que se conhecem bem Estou é um pouco cansada desta conversa melhor vida que a dos Pais. Sempre a desvalorizarem a vida dos pais.

  6. Helena says:

    Mas a conversar é que a gente se entende, sejam conhecidos ou não, caro anónimo. A nossa vida é aquilo que queremos fazer dela. Se há alguém a ceder a pressões das gerações antecessoras, isso já é outro problema.
    Obviamente que o caro anónimo não vem de uma família com problemas financeiros, caso contrário teria compreendido o que quis dizer. Os filhos não têm de ganhar mais do que os pais, mas têm sem dúvida de se esforçar muito mais para ganhar metade. O nível de vida de um licenciado, hoje em dia, é duplamente inferior do que a vida de um operário fabril, há 20 ou 30 anos. Querer ter uma vida melhor, não significa desvalorizar.
    Portugal não é um país produtivo, porque é um país de preguiçosos, trapaceiros e porque o sistema educativo falha desde a base.

  7. li says:

    o meu pai disse-nos sempre: “vão estudar, porque eu não tive a oportunidade.” não por uma questão de estatuto social, mas sim pela quimérica ideia que um licenciado tinha mais oportunidades de obter um “bom” emprego (era uma verdade absoluta há 30 ou 40 anos atrás, mas mudam-se os tempos,…). e apesar de todos os seus esforços para nos dar uma educação, acabamos por ter a vida que ele não queria para nós – vida de emigrante.

    portugal entrou num círculo vicioso: excesso de licenciaturas, falta de qualidade dos licenciados, falta de qualidade dos professores, facilitismo no acesso à universidade…
    e portugal é exímio em “tapar o sol com a peneira” – somos o país da ue com mais analfabetos? o 12° ano torna-se obrigatório para todos (e quem faz 12 anos de escolaridade, faz mais 3 ou 4 e tem um canudo e um título!), abrem-se mais cursos, facilitam-se os exames de acesso (para “atingir” as notas mínimas de entrada), facilitam-se os exames durante a licenciatura, et voilà cerca de 43000 licenciados desempregados. mas pelo menos, já não são analfabetos.
    e os “poucos” licenciados empregados são uns os pobres desgraçados: ganham uma miséria, trabalham horas extra não remuneradas, sem reconhecimento nem elogios, e são contantemente ameaçados pela espada de dámocles (i.e. despedimento).
    há alguns sortudos que fogem a esta regra – mas são mais raros.

    quanto a portugal ser um “país de preguiçosos”, não concordo. os emigrantes portugueses são famosos por serem idóneos, trabalhadores, etc. e o “sangue” é o mesmo.
    então o que muda entre os portugueses residentes e os emigrantes?
    a motivação -sobretudo a monetária. por que diabo uma pessoa há-de dar corpo e alma ao manifesto? para receber 500€, 1000€/mês? então acomoda-se. faz o estrito necessário. perde o brio profissional. perde a motivação psicológica e física. ou então emigra.
    mas portugal não é um país de preguiçosos. é um país de comodistas.

    p.s. não cresci numa família abastada, mas sim numa família com ambição. o meu pai licenciou-se em engenharia mecânica aos 45 anos 🙂

  8. Helena says:

    Sim, tens toda a razão. É o comodismo e não a preguiça. Agora, tens de concordar que são trapaceiros… Honestos, mas têm sempre o seu quê de trapaceiro.
    Os meus pais ensinaram-me a lutar. Trabalhei muito, muito mesmo, para conseguir pagar os estudos e ter a minha licenciatura. Por isso, para mim ser licenciada é tudo, ao contrário do que escreveram acima.

  9. Machado says:

    Ora muito bem !

    Isto está de facto animado e vou ter de discordar em parte com o meu estimadíssimo primo aka irmão!

    Pegando desde já nas palavras da Helena muito apropriadas:

    “Também é um grande contra-senso que tentem formar a população e ao mesmo tempo continuem a dar milhões a empresas que apenas vão ficar aqui enquanto a mão-de-obra se mantiver não-qualificada e barata.”

    Isto sim é um grande contra-senso não poderia concordar mais. Facto é, que como temos ouvido várias vezes (eu talvez mais, pois estudei o assunto!), o modelo de crescimento (e não desenvolvimentos, pois são duas coisas distintas!!), de Portugal está esgotado. Fomos completamente engolidos pela Europa de Leste, China e Índia que podem e devem competir e criar emprego (pois é disso que estamos a falar no fundo, de criação de emprego!), com base na mão-de-obra barata, pois têm salários manifestamente inferiores aos nossos…e nós Portugal, teremos de apostar noutro modelo, e que se aproveite o momento, e que não seja só um modelo de crescimento, mas sim de crescimento e de desenvolvimento. Daí ser importante apostar na educação e acreditem que já vamos tarde.

    Posto isto e tentando ir de encontro ao à discussão acima, não concordo que o contrato de confiança seja anedótico!! E também não concordo que as gerações mais novas sejam todas estúpidas ou menos capazes (aliás esse é um cliché que não me convence! Aliás a minha geração ou nossa – não sei? – foi apelidada de RASCA! e parece-me que ninguém teve razão nesse ponto!).

    Pois se é verdade que o nosso país como todos percebemos não pode competir mais pela mão-de-obra barata, tem de encontrar outro meio…e não será à custa do Turismo que vamos lá!! Portanto julgo que sim, que independentemente da capacidade do Tecido Empresarial actual em absorver a quantidade de licenciados, penso que é preferível ter um país qualificado, educado e preparado do que não ter, aliás só assim poderemos elevar o nível de salários, tendo uma mão-de-obra cada vez mais qualificada!

    Quem não nos diz que muitos desses futuros Drs e Engºs não irão eles próprios ter iniciativa e criar novo Tecido Empresarial e criar mais emprego??? Seja como for, poder-se-á pensar que ter um pintor (apenas para pegar já numa profissão citada), que teve a felicidade de estudar seja um desperdício? Ainda assim penso que é preferível do que o contrário (ou seja que ele seja um iletrado!). Aliás se existirem casos desses é porque o empregado/assalariado – pintor licenciado – está disposto a trocar a sua força de trabalho pelo salário X ou Y, no fundo o salário de equilíbrio de mercado. Ninguém o obriga, a não ser o meio (mercado) que envolve! E se for esse o caso, é preferível, a meu ver, que o Dr. ou Engº seja um pintor que mais um desempregado! E desemprego irá sempre existir…o Pleno Emprego como sabemos é impossível e então em época de crise…nem vale a pena comentar!

    Por outro lado vivemos num mundo Global onde alguns dos que aqui escrevem (até o próprio autor), moram fora de Portugal e foi cá que obtiveram o verdadeiro passaporte para terem uma vida melhor! A emigração é sempre uma hipótese…não nos esqueçamos que as remessas dos emigrantes já foram uma grande ajuda nas Contas Públicas Nacionais! – Não que esse seja o objectivo, mas a emigração é sempre uma alternativa!

    Todos temos o direito à Educação e quanto mais melhor (Não vou entrar pela discussão da qualidade da mesma pois isso parece-me um outro tema paralelo ou mesmo intrínseco mas que daria ano para mangas!!).
    Não devemos pensar que tudo é facilitismo e só quando éramos nós a estudar é que havia exigência…como disse a LI “somos o país da ue com mais analfabetos” então cara Li não acha que é preferível fazer alguma coisa para combater esse indicador? (mais uma vez não vamos entrar na questão da qualidade do ensino…), mas que se facilite o acesso ao contrário dos tempos dos nossos pais…evitando que nos tenhamos que tornar Engº Mecanicos aos 45 anos (DE LOUVAR ATENÇÃO!) – (mais uma vez não discuto agora a qualidade do ensino…este é meramente um exercício teórico partindo do princípio que o ensino é de qualidade!).

    Uma coisa é certa se já meio mundo percebeu que pela mão-de-obra barata não vamos lá…termos de ir por outra via que será termos profissionais qualificados a todos os níveis e utilizar a nossa criatividade renovando o tecido empresarial e criando B&S que possam competir lá fora pela qualidade com base em mão-de-obra qualificada! Agora volto a repetir se calhar já vamos tarde e que temos condicionalismos históricos, sociais e culturais que tornam esta reviravolta muito mais complicado do que se julga!

    Quanto a essa conversa de ter uma vida melhor que a dos meus pais sinceramente não faz muito sentido…posso apenas dizer que os pais emigraram (e não foi emigrar como se emigra hoje ou seja com estudos!) e conseguiram-me dar tudo aquilo que sempre quis uma vida feliz e a estudar!

    Por fim serei forçado a referir que talvez seja um desses casos de sorte onde o licenciado não se sente 100% explorado – só um bocadinhoooo, não pode ser tudo bom e como bom Tuga que sou tenho de reclamar com alguma coisa!!! – (essa não exploração é com certeza fruto a minha dedicação e qualidade no trabalho etc eheheheh isto agora só para aligeirar coisa!!), mas que obviamente também sou ambicioso e não abastado! Sendo que as ambições não são estritamente monetárias.

    Agora se me perguntarem se acho injusto que um licenciado ganhe mal? Claro! Acho que todos deveríamos ganhar bem…mas talvez tenha existido um mito (provavelmente criado pelos nossos pais e avós que afirmavam de certa forma que Licenciado = Futuro Abastado…o que está incorrecto!

    Bom já chega…

    Regards

    André

  10. Zita says:

    Ao ver o post no reader, pensei… não podia concordar menos!
    Fui lendo os vários comentários e fui percebendo que só me revia nas palavras do “eu”, afinal… Machado, estou contigo a 100%, em cada linha e em cada pensamento! é errado logo à partida pensar que se tira um curso para se ser empregado de alguém!! Será assim tão difícil pensar que uma pessoa licenciada pode criar o próprio emprego e daí criar mais postos de trabalho?!
    Vamos tarde, esperemos não ir tarde demais!!
    E só para terminar, a experiência erasmus tem-me mostrado que muitos colegas meus, naturais de vários países europeus não foram necessariamente trabalhar na sua área, e nem por isso acusam o Governo de anedótico e podem até lavar chávenas durante o dia e ir consumir cultura à noite, ao contrário de grande percentagem da nossa população activa, que ao fim de um dia, intelectualmente exigente ou não… se fecha em casa, perdido a olhar para uma caixa que raramente acrescenta algo de útil ou interessante!
    Portanto , venham daí pessoas com mais formação!
    Hasta!
    Zita

  11. Ric Jo says:

    🙂 Grande debate. Assim e’ que e’ bonito de se ver. Gostaria de poder participar na discussao, mas nao tenho tempo para escrever uma resposta grande, portanto fico-me com uma pergunta apenas na sequencia fdo que o Andre disse (e mais logo dedico-me ao restante conteudo do pessoal):

    Nao pondo em causa nem questionado a visao de alguem que sabe bem mais da materia que eu (ate porque convenceste-me relativamente ‘a necessidade de deixarmos de ser um mercado de trabalho competitivo devido a salarios baixos e passar a se-lo por outras razoes – inovacao tecnologica parece-me bem), apenas pergunto entao: se aceitarmos a realidade de que obter uma licenciatura nao sera sinonimo de ter pelo menos um ordenado aceitavel – pelo menos mais de dois salarios minimos – entao qual sera o incentivo de uns pais que te^m os dois salarios minimos em fazerem um esforco brutal em mandarem os seus filhos para o universidade? O incentivo de que serao mais literados do que se nao fossem? Deveria ser razao suficiente, de facto. Mas num pais utopico apenas. Pois na realidade, quais os pais do Portugal profundo (ou ‘superficial’) que vao fazer tal sacrificio financeiro em prol da literacia apenas? Nao muitas, creio. Infelizmente.

    Isto e’ apenas uma curiosidade para promover o debate e nao reflecte necessariamente a minha opiniao.

    Zita, anedotico e’ ter-se a nocao de que vale a pena ir para a universidade apenas para se poder consumir cultura. Porque se e’ licenciado nao significa que se vai consumir cultura. E vice-versa. E e’ tambem bastante anedotico falar-se em flexibilidade do mercado de trabalho (ie, entre outras coisas, poder trabalhar em areas para as quais nao estudou) quando Portugal tem dos codigos do trabalho mais rigidos da Europa, quer a niveis contractuais, quer a niveis psicologicos, se assim quiserem.

  12. li says:

    h., acho que não se deve confundir “trapaceiros” com “desenrascados”. é sempre necessário uma dose de “batotice” para se desenrascar de certas situações, mas (excluindo a classe política portuguesa, lol), continuo a achar que (a maioria d)os portugueses são um povo vertical e idóneo.

    m., toda a gente tem direito a uma educação mas não tem de ser obrigatoriamente um curso superior. acho que em vez de afunilar toda a gente para um bacharelato/licenciatura/mestrado, deveriam filtrar as capacidades/vocações das pessoas no 9.° ano e orientá-las para cursos técnicos especializados. por que não formar os empregados de mesa em hotelaria, por exemplo? por que é que o nosso governo acha que toda a gente tem de passar pelo ensino superior? formam-se maus profissionais não pela falta de capacidade intelectual, mas pela falta de vocação. quantos de nós não se deparou com um energúnemo num gabinete médico ou numa instituição pública? quem de nós nunca foi exposto a um péssimo atendimento por uma pessoa não talhada para a profissão? somos nós clientes a levar com as frustrações/incompetências de outrém?!
    a raíz do problema é outro – e abrir mais cursos, aumentar o numerus clausus, formar médicos em 4 anos, etc. com certeza não vai aligeirar o panorama!

    e no tempo dos nossos pais, o acesso à universidade era outro que não a planóplia de cursos abertos. pelo menos na família do meu pai, onde havia 8 bocas a alimentar, só o mais novo teve direito a seguir estudos superiores (através da passagem pelo seminário e depois o salto para o curso de medicina pago pelos irmãos). o meu pai e outro tio concluíram a licenciatura quando tiveram oportunidade (i.e. estabilidade financeira ou no caso do meu pai, paga pela empresa).

    quanto aos licenciados bem pagos, a ideia que teríamos de ter salários milionários não foi instituída pelos nossos pais. é simplesmente o rácio entre “anos de estudo” e “anos de trabalho”. como se começa a trabalhar mais tarde (por volta dos 23/24 anos) , deveríamos receber mais para compensar os anos passados a queimar pestanas. um pouco como os jogadores de futebol – como a carreira profissional é mais curta, a compensação financeira tem de ser mais elevada. right? 🙂

  13. Machado says:

    L – não defendo apenas a educação licenciada se é que assim se pode dizer, mas apenas educação, formação, cidadania…etc, coisas que de facto necessitamos muito neste país. Isso da ideia de curso superior = a bom salário não foram de facto os nossos pais, mas está intimamente ligado ao facto do País que tínhamos em tempos, em que de facto quem era Dr. tinha outras vidas…a tal contingência histórica e cultural, são barreiras difíceis aliadas aos 30 anos de Ditadura…

    Já cá volto em breve…

  14. Helena says:

    Concordo, o país deveria apostar em diversos tipo de formação, mas também acho que o acesso ao ensino superior devia ser, não limitado, mas bem orientado. Pegando no que a Li disse sobre a falta de vocação, deveriam fazer-se testes vocacionais e até mesmo entrevistas, antes de entrar em determinado curso (como fazem os americanos). O mesmo devia funcionar para todo o tipo de formação e ninguém deveria desempenhar determinada função, sem ter formação para o fazer. Mas enfim, utopias…
    Quanto à qualidade do ensino, bem, é discutível, mas eu só posso falar daquilo que tenho conhecimento. No fim-de-semana passado falei com algumas recém-licenciadas e elas n fazem ideia do que hão-de fazer. Os cursos são de 3 anos, são rápidos e n acredito que seja o suficiente para assimilar todo o conhecimento essencial, acabaram com os estágios e não têm qualquer disciplina de orientação profissional. Não sabem fazer cvs, não sabem como e onde procurar trabalho. Acho que se lhes perguntar, nem sabem bem quais são as saídas do curso. E não são só elas, isto é um pouco generalizado. Também tenho o feedback de professores, com quem mantenho contacto, e eles mesmos dizem que é desesperante. Os miúdos chegam mal preparados e saem ainda pior e isto terá consequências graves a longo prazo.
    Agora, se me perguntarem se acho bem que estes miúdos tenham de servir uns cafés, antes de começar a trabalhar a sério, eu digo: acho. Existe uma grande pressão, em Portugal, para terminar os estudos cedo. As crianças entram muito cedo para a escola e acabam os estudos muito cedo. Se fizessem uma pausa, entre o ensino secundário e o superior, se viajassem, se trabalhassem, como é hábito nos países nórdicos, ingressariam no ensino superior com uma confiança muito diferente e isso reflectir-se-ia nos estudos e no começo da vida profissional.
    Quanto ao “money, money,” as funções devem ser pagas consoante a sua dificuldade e a noção de trabalho não-qualificado devia desaparecer, porque todo o trabalho deve ser qualificado. Seja a dificuldade física ou intelectual, a remuneração deve ser justa. Uma coisa é certa, ninguém deveria receber mais do que o presidente da república, penso eu de que…

  15. li says:

    bem, isto tem pano para mangas .
    r.j. para responder à tua pergunta (sobre remunerações) existe uma tabela salarial para (quase?) todas as categorias profissionais em portugal. o cálculo baseia-se -mais ou menos- na “remuneração de categoria”, no “n.° de anos de antiguidade completos” e na “carga de horário semanal”. sei que nalgumas empresas do ramo automóvel sediadas em portugal seguem esta regra à risca. mas infelizmente, não se aplica à maioria da indústria/serviços (privados) em portugal onde, por mais anos de casa que o funcionário tenha, o salário é quase sempre o mínimo imposto pelo governo. e o salário de um engenheiro (por exemplo) seria muito mais do que 2x o salário mínimo – mesmo para um recém-licenciado.
    a geração de ’80 foi etiquetada de “geração rasca”, e mal acabou a licenciatura passou a ser a “geração mil-eurista”. acredito que muitos pais devem estar desiludidos por terem sacrificado tanto e ver o/a(s) filho/a(s) com (quase) 30 anos ainda a viver debaixo do tecto deles.

    quanto à dualidade licenciado/cultivado, quem frequentou a universidade sabe perfeitamente que muita gente que por lá passou pode ter terminado com um canudo na mão mas chumbou redondamente questão cultura. culpa tem quem planifica os conteúdos programáticos escolares e quem permite a estupidificação dos programas televisivos e consequentemente do povo.
    muita coisa tem de ser repensada em portugal -desde o planeamento escolar, a ramificação vocacional, o papel dos progenitores e dos professores na educação (sou só eu que acha que a geração ’90 é uma banda de pequenos montros?!), etc. (in)felizmente, portugal não é um caso isolado e é pena que a ue não se preocupe um pouco mais do estado da educação na europa.

    portugal é um belo país mas… falta saber-ser, saber-estar, civismo, boa-educação, empenho, motivação ao povo português. quando estive nos eua, uma professora perguntou-me o que era feito do povo português aventureiro, corajoso, que navegou por mares e oceanos, que descobriu meio-mundo, que deixou a sua marca nos 5 continentes… não lhe soube dar resposta.

  16. eu says:

    gostei de ler a evolução dos discursos
    A geração oitenta é fantástica e têm mas costas o peso da liberdade
    Mas eu acho e acredito que vão mudar o país e aqui se prova a sua capacidade de aprender e exprimir
    O ensino e a sociedade estão intimamente ligados

  17. João Gonçalves says:

    Eu sendo um elemento da geração de 90 fico chateado (como voces tambem ficavam) quando nos chamam “banda de pequenos montros” mas o que venho aqui dizer e que as gerações mais velhas acham sempre que os mais novos sao irresponsaveis pois nunca se lembra de como eram quando tinham a nossa idade.Eu na minha opinião ate acho que a geração de 90 (falando em nome dos nascidos em 92 pelo menos) e tao ou mais responsavel que os mais velhos quando tinham a nossa idade pois num jantar de anos que tive recentemente um dos convidados(da geração de 80) disse que achava estranho aquela hora ainda nao estarem todos bebados, pois nos jantares em que os seus colegas faziam 18 anos aquela hora ja estavam todos bebados. este pequeno acontecimento serviu apenas para vos demonstrar que quando falam dosmais novos tem de se lembrar de como eram quando tinham a nossa idade.

    Apos este pequeno esclarecimento o que eu aqui queria esclarecer e que esse apoio que voces reclamam que deve ser dado no 9º ano ja esta a ser e so foi graças a isso que eu escolhi a área que escolhi. Outro ponto sobre o qual eu queria expressar o meu ponto de vista era o do 12 ano ser obrigatorio o que eu acho estar correcto pois este 12 pode ser concluido atraves da via profissional que permite que quem acabe o curso comece logo a trabalhar com os conhecimentos suficientes e baseio esta opinião no facto de ver colegas meus que decidiram nao ir para a uni a seguirem este caminho e a ja estarem a trabalhar com optimas referencias por parte dos seus patroes.

    Mas isto e so uma opinião de um elemento da “banda de pequenos montros” que e a decada de 90

  18. Ric Jo says:

    João, aprecio imenso teres vindo aqui partilhar connosco a tua perspectiva. Não leves a mal a forma que por vezes catalogamos a tua geração. É que isso é algo que se vai sucedendo a todas as gerações. Como o André disse em cima, à minha geração e à dele, chamaram de Rasca. Tem-se sempre a ideia de que no nosso tempo é que as coisas eram difíceis e as pessoas se comportavam melhor, mas provavelmente a coisa acaba por se manter algo constante, variando apenas talvez com os meios tecnológicos novos que surgem ou revoluções científicas que se vão criando. No caso da tua geração, certamente passaram mais horas à frente de uma televisão e de um computador do que a nossa (no meu tempo só haviam 2 canais em Portugal e não funcionavam 24h por dia. Quanto a computadores, era uma sorte ver um, quanto mais ter um, por exemplo). E assim sucessivamente. Portanto não leves isso a peito.
    Quanto ao que se vai debatendo, quando discutimos se deverá haver mais educação ou não, creio que todos concordamos com a necessidade de haver mais. E isso é tudo muito bem, mas em nada contraria o meu post, ao contrários das vozes que aqui se indignaram com a minha crítica ao Mariano Gago: é que nesta notícia, o que o Ministro anuncia é o aumento do numerus clausus do ensino SUPERIOR. Não está a dizer que vai alargar o número de cursos técnicos no secundário ou melhorar e aumentar o apoio pedagógico e psicotécnico. Portanto volto a reafirmar que acho absolutamente um deitar de areia para os olhos dos Portugueses este anuncio de Mariano Gago, pois para além de desviar as atenções dos verdadeiros e gravíssimos problemas pelos quais o país e os aparelhos partidários passam, dá a ideia de que mais cem mil LICENCIADOS serão uma solução mágica que vem resolver os nossos problemas. E esse não é o caso, como já se concordou por aqui entre todos os comentadores excepto uma minoria. Mais licenciados num mercado onde nem o número actual consegue emprego qualificado vai levar a uma maior descida (se tal for possível ainda) do valor da remuneração paga aos licenciados (mais procura e menos oferta levará a isso, certo?) e uma desvalorização da licenciatura em si, que já nem abona em terreno muito positivo. Portugal precisaria desses 100 mil licenciados mais se tivesse onde os absorver. Se for para trabalharem nas caixas do Feira Nova, então não vejo onde valha a pena. Como a li disse: empregados de hotelaria devem ser guiados para cursos técnicos do mesmo, etc. etc. Tê-los como licenciados só por ter, não vejo onde está o benefício. E mais, a iniciativa de jovens empresários não é exclusivo de quem tenha canudo na mão. Creio que se 10% do actual número de licenciados criasse emprego, estaria bem servido o país.

    Já agora concordo igualmente com quem aqui disse que aspirar a uma licenciatura e ter uma vida melhor que aquela que os nossos pais tiveram é absolutamente normal e louvável. É que a mim parece-me que há pessoas a viver em Portugais diferentes: o real e o utópico. O real diz-me que a larga maioria dos pais da geração de 70 e 80 não tem mais qualificações que a quarta classe.

    O Portugal real também me diz que embora fosse bonito na teoria ter um país cheio de empregados de café licenciados a ganharem o ordenado mínimo, mas felizes e realizados intelectualmente apenas porque andaram no ensino superior, a realidade é que isso é uma utopia em que só os ingénuos podem acreditar. Idealizar um país e debitar bitaites é um exercício muito bonito e fácil, mas interpretar esse país como ele é na verdade e propor políticas e ideias realistas e ajustadas à realidade do país é que pelos vistos não é tão fácil. Portugal não é o estrangeiro. Portugal é Portugal e é essa a realidade com que temos de trabalhar.

  19. João Gonçalves says:

    Ric eu nao levei a peito simplesmente quis esclarecer algumas das opiniões que a meu ver estavam erradas. E ja agora se esses 100 mil licenciados fossem serralheiros ou electricistas podes crer que este pais andava para a frente pois como sabes o meu pai faz recrutamento de pessoal temporario e o que ele diz e que um electricista qualificado ja ganha mais do que a maioria dos licenciados que acabam os cursos portanto se essas 100 mil licenciaturas fossem para as areas que acabei de referir acho que o pais ate andava para a frente.

    E sempre um prazer comentar num blog com a qualidade deste ric =P

  20. li says:

    j., a regra para rotular uma geração, é enfiar tudo no mesmo saco. é óbvio que há sempre excepções à regra. mas o que vejo quando vou a portugal, o que presencio nas salas de aulas (sou assistente de laboratório aos caloiros de farmacêuticas), o que a minha mana presencia (é professora de língua e cultura portuguesas), obriga-nos a generalizar. poderia ter invertido a regra e dizer que eles (os monstros) são uma minoria. mas infelizmente (ou pelo menos sob o meu prisma) não é o caso – os que não o são (possivelmente tu e os teus amigos) são a minoria. não vou aqui alargar-me sobre o assunto (acho que já gastei o meu “tempo de antena”), mas a minha opinião é que algo se perdeu along the way entre a geração ’80 e ’90.
    as minhas sinceras desculpas se feri a tua susceptibilidade.

    r.j. esta discussão foi deveras educativa.

    p.s. pertenço à generation x 🙂

  21. Ric Jo says:

    Ora aqui esta’ um artigo que demonstra bem a realidade (e aqui sublinho a palavra realidade) de Portugal. O texto afirma que Portugal tem um codigo de trabalho demaisado rigido e que esse e’ o aspecto chave para a mudanca. E o ultimo paragrafo refere tambem que “Outras medidas (…) passam por dar prioridade ao pré-escolar, (…) e apoios financeiros apenas para educação ou maior mistura de alunos de diferentes classes sociais são outras medidas propostas”. Em tempo algum refere aumentar o numeros clausus do ensino superior para solucao do problema.
    Thanks Rita.

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