February 24, 2010 7

Mexico 86 sticker album

By in Desporto, Devaneios, London

Aquela camisola branca com os three lions no peito era a que me despertava paixão. Era aquela camisola branca que eu um dia quando fosse grande sonhava vestir. Mas por aquela altura, dar-me-ia por satisfeito por apenas poder vê-la no corpo dos manequins da secção de desporto do Peter Jones de Sloane Square depois das aulas, ainda com o uniforme da escola vestido.

Para mim não havia camisolas ou chuteiras da Nike, da Puma ou da Adidas. Haviam as cores, os distintivos e os jogadores. O grande Gary Lineker era o que mais me enchia as medidas, marcando golos que se fartava, a torto e a direito, de todas as formas e feitios. Do lado oposto do campo,  o guarda redes Peter Shilton com aqueles calções bem curtos – moda da altura, fazia de barreira intransponível. Conseguiu transpô-lo o pequeno génio, com o melhor golo de todos mundiais e com a ajuda divina da mão de Deus. E transpô-lo também o Carlos Manuel, aquele do Benfica e do bigode, minha única figura de referência da equipa das quinas, a qual não me fazia ainda pular e sofrer da maneira que o viria a fazer anos mais tardes. Cá por Londres, aquela vitória sobre a minha Inglaterra valeu a exuberância de uma amolgadela num tecto, resultado de um festejo bem Português.

O Pique, aquela figura omnipresente verde com o chapéu amarelo fazia igualmente parte do meu imaginário. Estava em todo o lado, desde da televisão aos brindes dos ovos Kinder. Na caixa mágica, aquelas transmissões televisivas a horas pouco comuns para a bola, com cores bem carregadas e relatos vindos na voz de alguém que só podia estar a falar através de um transmissor arcaico, cuja qualidade seguramente se deterioraria por ter de atravessar o Oceano Atlântico inteiro, pensava eu.

Naquela altura interessava o golo, não o penteado. Interessava a arte com a bola, não a arte de engatar. Mas naquela altura o que mais interessava ainda era termos todos os nossos cromos colados direitinhos. Era poder completar a equipa da Inglaterra, seguida da equipa de Portugal. Naquela altura interessava ter o cromo do Maradona e do Lineker. Quem era esse tal de Pélé? Naquela altura, a Panini era o nosso melhor colega de equipa. E nesta altura, esta minha caderneta de cromos de quase 24 anos, fotografada aqui por mim, é dos meus bens mais estimados.

7 Responses to “Mexico 86 sticker album”

  1. Helena says:

    Há sempre um cromo dentro de nós, ou uma caderneta deles… eheheh Belo texto.

  2. Ric Jo says:

    No meu caso, carradas de cadernetas 🙂

    Thanks!

  3. mysteron says:

    Eina Puto!!!

    Grande texto!! Grande momento de revival…o Lineker tão bom!! Enfim só mesmo tu para desencantares isto! Gostei…acho que desenhei o Pique muitas vezes…desenhar ou melhor tentar ou o raio!

    Nice!

  4. Ric Jo says:

    🙂 Fazes bem parte do imaginário de onde o texto veio pá! Nesse tempo ainda era mais alto que tu e jogava ainda melhor que tu, lol. Justo será dizer que era mais velho e obviamente fisicamente mais desenvolvido. Como as coisas mudaram, hã? 😉

  5. mMysteron says:

    Pois mudaram eheheheh!!

    Jogo para cara*** AHJAHAHHAHA!

    Até Quinta!

    🙂

  6. Gugo says:

    We deeltinfiy need more smart people like you around.

  7. You’ve really captured all the essentials in this subject area, haven’t you?

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