March 18, 2010 3

Mestres licenciados

By in Portugal

Em conversa à dias com uma futura recém-licenciada, espantava-me com a rapidez de tal processo de aprendizagem, esquecendo-me obviamente que as licenciaturas de Bolonha têm agora a duração de ‘apenas’ três anos. Perguntei então se ela ia avançar para os restantes dois anos que faltariam para completar o mestrado, ao qual recebi uma resposta afirmativa. Trivialmente lancei o comentário de que apesar de ser um mestrado, acabava por ter exactamente o mesmo valor que a licenciatura que eu e os da minha geração possuíamos, ao qual recebi a reposta: “Nao é nada!”. A frase apanhou-me completamente de surpresa, tendo sido seguida por uma troca de argumentos, a qual acabou com a conclusão da futura recém-licenciada de que ela não tinha a noção de que um mestrado de Bolonha equivalia exactamente ao mesmo número de créditos de uma licenciatura das antigas, chamemos-lhe assim. Portanto de forma clara, valem exactamente a mesma coisa, apesar do nome ser diferente.

Não me preocupo que àquilo que estudei se chame de Licenciatura e que de hoje em dia o mesmo esforço seja intitulado de Mestrado. Que me chamem de Licenciado ou Mestre, a coisa é-me igual. Isto é, numa sociedade em que as pessoas em geral e – espera-se – os empregadores saibam da real equivalência entre os dois diplomas.
Preocupa-me sim que os próprios estudantes da Geração Bolonha tenham um desconhecimento sobre tal equivalência, o que me leva a crer que porventura a grande maioria dos empregadores  partilhe de tal desconhecimento, ou na melhor das hipóteses, que acabe por o partilhar. Será enorme a facilidade com que os pré-históricos Licenciados de cinco anos passarão à história sem deixar rastos, creio. O que é injusto, creio novamente.

3 Responses to “Mestres licenciados”

  1. Helena says:

    Estou atolada de trabalho, mas tenho opinar aqui, um instante, por isso desculpa os erros. Essa moça recém-licenciada tem toda a razão. “Não é nada.”
    Ora o péssimo português do “não é nada” pode ser analisado de 3 formas:
    1ª Terminei a minha licenciatura de 5 anos, numa altura em que a maior parte dos cursos já tinham sido adaptados a Bolonha. Vi muitos colegas meus, de outros cursos, que estavam encalhados no bacharelato, terminarem a licenciatura de Bolonha, claro está, com o processo de equivalências de créditos.
    Inicialmente, isto n me causou gde espanto, já que pensei, tal como tu, que haveria sempre diferença.
    Acontece que, falando com professores e vendo a realidade, por ex, dos concursos públicos, as belas licenciaturas/ mestrados têm prioridade sobre as antigas. Tanto para empregadores, como para o Estado, um mestrado é um mestrado, mm que o conhecimento que dele se adquira seja equivalente ao de uma licenciatura pré-bolonha. Portanto, agora, vejo os mestres que me deram aulas, aflitos a tirar doutoramentos, que antes eram um trabalho de vida, agora são apenas 2 anos, para não perderem o trabalho para os recém-mestres. Do mm modo, vejo os doutores que me deram aulas a verem o seu grau de estudos a ser ridicularizado pelos doutoramentos actuais, que nada são a n ser mestrados.
    De toda esta injustiça, vale a pena reter o seguinte: Nunca seremos mestres, a n ser que tiremos um mestrado, ainda que estejamos a repetir tudo o que demos. Não há equivalência de créditos de uma licenciatura pré-bolonho para um mestrado de bolonho, portanto, de certa forma, essa moça tem razão.
    2ª Ela também tem razão qd diz que “não é nada”, porque aquilo que ela aprendeu é mm nada. Vejo bem pelas recém-licenciadas que conheço que a sua preparação para o mundo do trabalho é nulo.
    3º Seria bom que os recém-licenciados, seja de q área for, aprendessem pelo menos a falar a sua língua. Sendo que a jovem ao dizer “não é nada” estava a dar-te razão. Já na matemática “- com -, dá +”. Ora se uma coisa não é, não é. Mas se não é nada, significa que afinal sempre é. Ou seja, discussão ganha,.;-)
    Está a decorrer um processo de estupidificação no ensino, em todos os graus, que vai afectar, obviamente, as camadas mais baixas da sociedade. Só me pergunto qual será o objectivo da coisa e se será mm tão assustador como as teorias da conspiração que correm por aí.

  2. Sérgio Bruno says:

    É pegar num curricula ou certificado de habilitações de um licenciado pré-bolonha e um mestrando pós-bolonha e comparar!
    Mas ou muito me engano, ou número de créditos é o mesmo…

  3. Luís Garcia says:

    Tá a falar bem sim senhor! 🙂
    um abraço aqui
    do Garcia!

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