O álbum é muito fraquinho, mas não se tem culpa da música que se cria mundo fora na época em que na cara nos começa a nascer pelugem. Tenho-o lá guardado em casa. Por entre os centenas de álbuns, passa com certeza de forma bastante despercebida. E ainda bem. Isto não é coisa para se meter a rodar muitas vezes. Nem algumas. Só mesmo muito raramente, quando o acaso assim o entender ou quando se dá uma dose de Marty McFly e dou por mim a viajar ao passado, vasculhando a banda sonora do tempo dos Riscos – dessa série pré-pré-pré-Morangos-Com-Açúcar ou do risco ao meio, quando ainda havia por onde o fazer. Os álbuns desse tempo – os primeiros da colecção, continuam lá agrupados e ordenados tal qual como há quinze anos atrás. Pararam no tempo, espelhando de forma perfeita os sons que eram projectados contra as paredes do refúgio sagrado que era o meu quarto nessa altura.
Hoje [ontem] foi um dia desses acasos raríssimos. Não que eu tivesse mesmo stumbled upon o disco, visto ele estar a 1500Km de distância. Mas essa modernice que é o iPod pregou-me a partida de o ter colocado em destaque, e eis que num final de semana dentro do automóvel a preparar-me para efectuar o caminho de regresso à base, decidi aceitar tal provocação e lá me meti à estrada ao som dos grunhidos pouco elegantes do senhor Gavin Rossdale e das suas guitarras ensonsas e pouco criativas. E entre as várias memórias que me vieram ao de cima, entre outras coisas ficou-me a confirmação de que após muitos anos sem ter ouvido o disco, ele sofreu (como esperava) daquilo que denomino como o efeito do desenho animado: quando éramos putos, aquilo era potente; agora ao rever a obra em adulto, confirmamos aquilo que romanticamente nunca gostamos de admitir – afinal a coisa não era assim tão boa (neste caso, bastante longe mesmo).
Mas apesar do facto de ter chegado pouco mais a meio deste Razorblade Suitcase a já não poder suportar mais aquilo, acabei por re-descobrir alguns (embora poucos) momentos de prazer, em que admito que o air-guitar saiu do saco. Isto para não falar também do volante-bateria, que na viagem teve igualmente alguns momentos fantásticos, com uns brakes espectaculares (eh lá, já não usava esta palavra há uns tempos valentes). A tripla de canções Greedy Fly – Swallowed (hino da malta na altura) – Insect Skin puseram-me a cantar, mas o ponto alto da viagem e agradável surpresa foi a redescoberta de Cold Contagious, uma das primeiras canções que aprendi a tocar numa guitarra e a primeira de todas cujos acordes (dificílimos, ui) consegui sacar sozinho. Confesso que foi com prazer que entoei a canção, embora reconhecendo a sua ingenuidade e fraqueza enquanto obra de arte. But who gives a fuck? Por muitos outros 5:58 minutos de prazer como a que Cold Contagious me proporcionou hoje, prostituto os ouvidos e a reputação sem hesitar.
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Álbum: Razorblade Suitcase
Banda: Bush
Ano: 1996
Editora: Interscope
Produtor: Steve Albini
Curiosidade: Gravado nos estúdios de Abbey Road, Londres.

Também tenho esse maravilhoso CD! LOL! Agora que falas nisso de facto, para aí desde 98 /99 que não oiço isso! Mas agora deu-me a vontade de recordar, vou levá-lo para o carro para ouvir logo de manhã a caminho do trabalho! Será que me vou arrepender??
beijinhos
🙂 Claro que nunca seria de coisa de te arrependeres, pá! Ninguém escolhe o que se ouve quando se é adolescente e voltar lá de quando em vez faz sempre bem. I’m all for it! Curtiste ou nao curtiste a audição do dito cujo? 😉 Bjs**
Crescemos, os gostos amadurecem, mas ficam aquelas músicas que nos tocaram e que de certa forma sempre nos tocarão, ficam “para mais tarde recordar.” 🙂