April 22, 2010 8

Crise de identidade?

By in London, Polítiquices

 

Vêm aí as eleições locais e gerais Britânicas – as primeiras nas quais participo. E se a nível local já sei para quem o meu voto está destinado, a nível de eleições gerais a decisão não se afigura fácil. Por falta de opções válidas ou pela dificuldade em distinguir o que dificilmente se distingue, a verdade é que a fachada que são os ‘confrontos’ directos entre os líderes dos três maiores partidos cá do burgo e a quantidade de informação debitado na rádio e tv não serviram ainda para pender o meu voto para um lado ou outro. Assim sendo, ontem decidi experimentar um dos vários sites de órgãos de comunicação Ingleses que nos apresentam com um teste com várias perguntas chaves sobre os tópicos mais importantes da vida política – economia, ambiente, segurança, imigração, impostos, etc. – com a expectativa de saber se o resultado iria comprovar aquela que é a minha intuição actual. E eis que não poderia ter sido mais surpreendido com o resultado apresentado como sendo “O Partido que mais se aproxima das suas perspectivas” – Os Conservadores de David Cameron. Errr… Come again?! Serão as minhas prioridades numa cidade enorme como Londres (com tudo de bom e de mal que isso acarreta) diferentes daquelas que tinha enquanto habitante da muitíssimo menor (em termos de área e  valor populacional, obviamente) Braga? Serão, afinal, as nossas ideologias moldados mais pelo meio envolvente do que pela própria personalidade?

Imagem via www.stopboris.org

8 Responses to “Crise de identidade?”

  1. Helena says:

    A personalidade não é inata. Vai sendo moldada de acordo com experiências e, sobretudo, o ambiente. Reza a psicologia que são os ambientes que nos rodeiam que formam as pessoas.
    Nascida e criada “comuna”, dou por mim a simpatizar com certas propostas lançadas pelo CDS (excepto homofóbicas e afins, claro). Até o meu pai, com certa vergonha, por vezes, o admite. C’est la vie…

  2. Ric Jo says:

    Claro que a personalidade se vai moldando. Preocupante seria se assim não fosse. Mas não faz muito tempo que troquei Braga por outras cidades maiores, embora a personalidade tenha porventura sofrido algumas alterações. Mas não me conseguiria ver neste momento a votar diferente daquilo que votava enquanto vivia em Braga, se ainda lá estivesse. É aí que está a minha confusão 😉

    Não querendo ser preconceituoso nem ofender, não é todos os dias que se ouve ou lê um comunista a dizer que já simpatizou com propostas dos CDS. Daqui bato palmas à tua sinceridade.

  3. Yuran says:

    OLHÓ GAJO COM CRISES EXISTENCIAIS E LÁ O RAIO QUE TE PARTA….
    A ESQUERDA É O CAMINHO, SEMPRE FOI E SEMPRE SERÁ.
    HÁ LÁ DÚVIDAS, LABOUR PARTY COME ON…
    SE AQUI VOTAVAS PS, EM INGLATERRA VOTAS NOS TRABALHISTAS, HÁ DÚVIDA?????
    A UM PONTO DO TÍTULO, PODE SER JÁ AMANHÃ, VÊ SE FAZES UM POST AO GLORIOSO.
    SEMPRE VERMELHO AH!
    HOJE PODEMOS SER CAMPEÕES NACIONAIS DE FUTEBOL, VOLEIBOL E ALCANÇAR O TÍTULO EUROPEU DE FUTSAL.
    CARREGA BENFICA!!!
    ABRAÇO E VAI DANDO NOVIDADES
    NUNO

  4. Ric Jo says:

    Yuran, my friend. Talvez a expressão “se aqui votavas *esquerda*” se adeqúe mais 🙂

    Domingo pode ser, de facto, um grande dia para o Benfica. Não haveria melhor forma de comemorar o meu aniversário, essa é que é essa. Mas preferia esperar pelo Dragão. Anyway, a ver vamos. Seja Domingo ou no Dragão, post vermelho por aqui haverá com certeza.

    Grande abraço e segue email dentro de uns dias.

  5. Helena says:

    Uma coisa é simpatizar com ideias socialistas, outra coisa é ser comunista. Outrora afirmei-me comunista, sim. Influência óbvia dos meus pais e do mundo em que vivia, onde as injustiças sociais eram mais flagrantes e onde o comunismo parecia ser a única solução viável.
    Anos depois, com o estudo e experiência, as ideias amadurecem. Percebemos que nem tudo é como parece. Até o meu pai, apesar de se afirmar comunista, percebe que foi mais uma vítima da propaganda do pós 25 de Abril. Os comunistas sempre foram exímios em tomar as dores dos mais fragilizados, para espalhar a sua demagogia.
    Se acho que sem o comunismo o 25 de Abril não teria sido possível? Sim. Mesmo os grandes vultos, que mais tarde formaram outros partidos, eram na altura comunistas/socialistas (o que é a basicamente a mm coisa). Por isso, o espírito revolucionário está sempre subjacente no conceito de comunismo. Daí que, apesar de ser uma força absolutamente desfasada do nosso mundo capitalista e de ideais decrépitos, continue a atrair as camadas jovens, que buscam a sua própria revolução, acreditação e pretensa liberdade.
    Se acredito que o comunismo é a resposta? Claro que não. Em parte, pelo que escrevi anteriormente e porque, apesar de me identificar com a ideologia – ou melhor, utopia – comunista, está mais do que provado que nenhum homem resiste à corrupção e ao poder. Sendo que a “colectividade socialista” apregoada nada é mais do que uma mão cheia de homens extremamente ricos que detém o poder e o conhecimento, e dominam os mais fracos, que ao invés de se dividirem em classes, constituem uma única, a baixa.
    Portanto, digo que sou apartidária. Voto no partido que apresentar melhores propostas para o desenvolvimento do país, nunca esquecendo as necessidade sociais. Voto no partido que represente a oposição mais forte, porque a discussão de ideais é o pilar da democracia. Voto de consciência tranquila, sem ideologias e sem os perigosos “ismos” a atrapalhar. Nas próximas eleições, é certo votarei a favor da dignidade, do direito ao trabalho, da protecção social e, sobretudo, contra a corrupção.

  6. Miguel says:

    Como disse churchil: “Quem aos 20 anos nao e’ de esquerda, nao tem coracao; Quem aos 30 assim continua, nao tem cabeca” 😉

  7. Helena says:

    Muito bom, Miguel 🙂

  8. Mysteron says:

    Muito bom Churchill eehheh ;p

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