May 10, 2010 2

Trinta e dois

By in Desporto, Portugal

O ano futebolístico que ontem findou pertenceu aos encarnados. Não aos vermelhos, azuis ou verdes. Aos encarnados. Apesar do mérito enorme que o Sporting de Braga teve (cujo lustro perdeu brilho quando o Sr. Paciência não teve a grandeza suficiente de dar os parabéns ao vencedor da prova), o Benfica soube realmente andar pelos campos a vibrar na época que ontem findou. Para além de ter tido a melhor defesa da prova (a par do Sporting de Braga), o Benfica teve o melhor ataque e apresentou um futebol de enorme qualidade que apenas ajuda a enaltecer o nome do clube e acima de tudo, apagar a memória do futebol menos bonito e mais sofrido com o qual tinha vencido o campeonato em 2004/2005. Pelos relvados de Portugal, a equipa liderada por Jorge Jesus presenteou o público com um futebol total, de pressão alta, futebol ao primeiro toque, defesa subida, perfeccionando o jogo entre as linhas das equipas adversárias (está cumprido o objectivo de usar o futebolês neste post). É certo que a equipa não foi espectacular em todos os jogos. Olhão, Braga e Dragão foram três dos poucos lugares este ano onde não deu prazer ver o Benfica jogar. Mas tirando esses poucos exemplos, a equipa do Benfica geralmente brindou-nos com um futebol de enorme qualidade atacante, algo que nenhuma das equipas adversárias conseguiu fazer da mesma forma regular, apesar do futebol certo (mas nada espectacular) do Sporting de Braga. É certo que Cardozo não é Van Basten, que Javi Garcia não é o Didier Deschamps e Di Maria não é nenhum Glen Hoddle, mas o facto é que a equipa de Jorge Jesus conseguiu atingir por vezes níveis brilhantes, com intérpretes de elevado nível para um campeonato como o do Português, tendo alguns deles pedalada até para outras paragens de exigência superior. Querer justificar esta vitória do Benfica com o argumento ridículo e pequeno de túneis e expulsões, acaba por ser desvalorizar o próprio valor das equipas adversárias, pois só mesmo o melhor Benfica dos últimos vinte e cinco anos é que conseguiu acabar à frente da concorrência, o que demonstra o nível elevado que os três primeiros classificados acabaram por apresentar na prova ao longo do ano.

Hoje será ainda dia para festejar – comprar os jornais desportivos, fazendo masturbação ao ego lendo vezes sem conta os títulos generosos com que brindam o Benfica. Mas amanhã será tempo de começar a pensar na próxima época. Dá ideias de que desta feita, o gigante realmente acordou. Se assim será mesmo ou se tudo não tenha passado apenas de uma excepção, só o tempo o dirá. Mas uma coisa é certa: mantendo o nível desta temporada e trabalhando para o optimizar significará com certeza um Benfica muito forte e fará com que os seus concorrentes tenham de dar, também eles, mais um passo em frente, sob pena de ficaram para trás. E quem ganha com isso é o futebol nacional. Pudéssemos resolver os restantes problemas do país de maneira tão fácil e estaríamos nós bem.

Entramos nos descontos deste post e apenas quero referir que o cataloguei como ‘Desporto’ e ‘Portugal’ de forma propositada. Usei a categoria ‘Portugal’, mas poderia até ter usado ‘Mundo’. Isto porque o Benfica, ao contrário de outros clubes em Portugal, trata-se muito mais do que um clube regional. O Benfica é um clube nacional e até internacional e os seus adeptos têm todo o direito de poderem festejar a vitória no campeonato em qualquer canto do país ou do mundo sem terem que olhar para trás das costas à espreita de escumalha e gandis que, de mentalidade tão pequenina que têm, pensam que são donos de alguma coisa.

Viva o campeão nacional.


2 Responses to “Trinta e dois”

  1. […] This post was mentioned on Twitter by ourem, Freixianda. Freixianda said: Trinta e dois: O ano futebolístico que ontem findou pertenceu aos encarnados. Não aos vermelhos, azuis ou verdes. … http://bit.ly/cIJHWT […]

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