July 21, 2010 2

I want to ride my bicycle (in London)*

By in London

O verão tem sido bastante escaldante pelos lados de Londres, este ano. Isto, obviamente, na perspectiva Inglesa. Tirando uma ou duas semanas de excepção (verão sem chuva não seria verão Inglês), o termómetro tem andado maioritariamente entre os 25ºC e os 30ºC.
Tendo em conta a excelente capacidade térmica das casas Inglesas, que conservam bastante o calor – algo que dá muito jeito no inverno – os verões excepcionalmente quentes podem por vezes ser um martírio para quem quiser ficar dentro de portas. Se a isto juntarmos uma cidade amplamente servida de parques de grande e enorme dimensão onde as pessoas têm uma tendência descomunal de calçar o chinelo e sair porta fora mal apareçam alguns raios de sol, então podemos dizer que temos todos os ingredientes para que se passe pouquíssimo tempo dentro de casa nesta altura do ano.
Sendo uma cidade tão grande, não é surpresa nenhuma quando um encontro combinado com amigos ou uma ida a um museu demore cerca de 40 minutos a alcançar. Se nos imaginarmos enfiados num metro onde a temperatura certamente ronda por vezes os 40ºC e onde os cheiros não são propriamente os mais chamativos que existem, então é fácil concluirmos que uma das melhores formas de comutar por Londres nesta altura seja a bicicleta.
Ora, com todas estas condicionantes e condições e nem a propósito, o Mayor de Londres está prestes a lançar finalmente o novo sistema público de aluguer de bicicletas em Londres – o Barclays Cycle Hire – bem ao estilo (e inclusivamente inspirado) no sistema sobejamente conhecido de Paris – as Velib. Aberto a todos os membros do público com mais de 14 anos, estas bicicletas fabricadas e produzidas pela empresa canadiana Serco em associação com a igualmente canadiana Bixi, estarão nas ruas de Londres a partir de 30 de Julho 2010, espalhadas por 44km2, colocados em locais estratégicos da cidade. Sendo gratuitos nos primeiros trinta minutos de utilização, custando depois £1 por uma hora e £4 até uma hora e trinta minutos de utilização e por aí fora, o sistema Londrino acaba por ser mais caro que o da sua congénere Francesa, mas permite também, na teoria, a utilização gratuita das bicicletas durante um dia inteiro caso estas estejam sempre disponíveis em cada docking station e o condutor esteja disposta a trocar de duas rodas a cada meia hora. Embora duvide que esta prática seja possível de ser feita, dada a escassez de bicicletas disponíveis no sistema (6000 numa cidade de mais de 8 milhões mais os turistas), acabo por achar os preços de pouca utilização perfeitamente razoáveis. É quando se anda duas hora ou mais que creio serem pouco simpáticos os preços anunciados, mas daí virá porventura a benesse de incentivar as pessoas a andarem menos tempo nas bicicletas, havendo desta forma mais disponíveis para todos. Hoje, andando pela cidade, já pude fotografar várias docking stations, obviamente ainda desprovidas das bicicletas.

Acho que qualquer cidade que se preze mundo fora, especialmente as ‘capitais do mundo’, devem ter um sistema destes no seu código genético à partida. A flexibilidade que um sistema destes permite é algo que só vem incentivar ainda mais à boa vivência dos cidadãos com as suas cidades. Mesmo que um sistema destes não dê lucro e provoque até alguns problemas às empresas concessionárias, tal como o de Paris, e mesmo que os custos de implementação (£140 milhões para o sistema Londrino) sejam de elevado nível, sou da opinião que nem tudo o que se implementa no dia-à-dia de uma cidade deva ser para se fazer lucro. Há benefícios sociais que são maiores do que os benefícios monetários imediatos e não duvido que se este Barclays Cycle Hire tiver o mesmo impacto que as Velib tiveram em Paris, então podemos esperar uma Londres mais dinâmica e menos pesada. E com certeza que a benesse que será ter ainda mais gente bonita em cima de duas rodas, qual Copenhaga, não será também de descartar.

Resta ver como se darão os turistas utilizadores esporádicos a conduzirem do lado oposto àquele que estão habituados. Os cruzamentos e as rotundas não são obstáculos fáceis para quem só conduz há um par de minutos do lado esquerdo da estrada. Outro desafio será ver como casa a cidade com um número substancialmente maior de bicicletas nas estradas, visto que nem todos os locais são propícios à comunhão entre os automóveis e as bicicletas.

Seja como for, esta campanha é certamente bem vinda e a ver vamos até quando é que Lisboa esperará para seguir o exemplo da cidade de Aveiro, que desde do final dos anos 90/início dos anos 2000, tem nas suas ruas bicicletas para uso público.

Agora, se não se importam, vou só ali pedalar abaixo até ao Hyde Park.

Ler mais sobre o Barclays Cycle Hire:

Barclays Cycle Hire

Riding around London on the new cycle hire bike

 

*Este artigo está a ser replicado algures por aí. Mas ainda não é tempo de desvendar onde. Watch this space.

2 Responses to “I want to ride my bicycle (in London)*”

  1. Helena says:

    Já estás a pensar nas Lolitas (de idade mais apropriada), com os vestidinhos a serem levantados pelo vento!
    O trânsito caótico e os turistas a tentarem conduzir do lado errado serão gdes obstáculos, mas é um sistema e um investimento de louvar, principalmente em época de crise. Quem me dera ter apanhado uma bicicleta quando aí estive, tinha dado um jeitão!
    O ideal seria haver pistas só para ciclistas, mas talvez seja pedir de mais.

  2. Ric Jo says:

    Lolitas nada! Senhoras de todo o corpo e personlaidade, que nao tenham lampejo em pedalarem de saia e salto alto (nao e’ preciso que estejam vestidas mesmo assim, mas simplesmente para enfatizar que o facam vestidas de forma normal e nao parecendo atletas de alta competicao) 🙂

    Louva-se, de facto, o investimento. A ver como a coisa corre. Para ja’, depois de ter escrito este post ja foi anunciado um atraso em um mes no arranque do sistema. Quanto ‘as pistas so para ciclistas, elas ja existem em certos pontos da cidade e sao obviamente bem vindas, pois na condicao de condutor de automovel que sou (algo a que nao posso fugir, dado a distancia diaria que tenho de percorrer), devo dizer que a simbiose automovel-bicicleta nao e’, de todo, harmoniosa!

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