October 12, 2010 3

Spin the silver circle

By in Devaneios

Já tinha ouvido uns zum-zuns por aí, que já estavam extintos ou em vias disso. Gloriosos no seu tempo, a teoria de evolução de Darwin ditou que fossem naturalmente dominados pelos seus parentes mais pequenos, ágeis e leves. É a lei do mais forte. Ou do que é convencionado como o mais cool. Bah. A recordação da última vez que avistei um espécime destes em pleno uso já me deixou a memória há muito. Lá por casa ainda tenho um. Não, minto. Dois. Um já só serve para tudo menos para que foi feito, mas passei tanta hora em tanto Km de estrada com ele que não me consigo desfazer daquele meu companheiro.  E para mais – não se deita fora onde se ouviu pela primeira vez o Kid A, entre outros grandes álbuns. E até nem convém, pois sei bem do lugar que ele um dia poderá vir a ocupar numa série tipo ‘A History of the World in 100 Objects’ da BBC. Ou, mais realisticamente, ‘A History of the Ric’s World in 100 Objects’. O outro lá continua, novo em folha e apenas à espera do dia em que eu volte a ser reunido com os meus discos.

Diz-se que as poucas pessoas que ainda os têm evitam de andar com eles publicamente devido à vergonha. Será o equivalente a andar com umas sapatilhas de pano e borracha quando se pode andar nas nuvens com umas Nike Air. Resistentes mas tímidos há, que ainda os trazem à rua, embora bem escondidos num qualquer bolso do casaco de inverno. Sim, porque é impossível esconder um num casaquinho de verão. É que há que contar sempre com o volume extra dos dois cilindros recarregáveis sobresselentes e a bolsa de discos, enfiados um a um nos seus envelopes ou as próprias capas (para os mais corajosos). Vistas as coisas, com ele bem escondido tendo apenas o apêndice sonoro à vista, passa até por um dos seus parentes mais pequenos e mais cools.

Mas hoje, regressado do escritório e a caminho da porta de casa, nem queria acreditar naquilo que os meus cansados olhos teimosamente seguiam rua abaixo: um espécime em pleno funcionamento, orgulhosamente exibido nas mãos de uma menina cujas elegantes curvas eram o complemento perfeito àquelas do disco que lá dentro rodava. Louca ou unconventional? Neither. É que o mp3 não podemos sentir e o vinil, esse não o podemos levar connosco na rua enquanto nos dá música ao mesmo tempo.

3 Responses to “Spin the silver circle”

  1. meu, já é vintage! podes usar que é cool outra vez que é mais ou menos como os óculos de sol.

  2. Helena says:

    eheheheh concordo com o Tiago. É vintage, é cool.

  3. Ric says:

    Ui! Enta~o se comec,ar a andar com a walkmen que ainda por la’ anda tambe’m, serei o fulano mais cool do bairro, eheh.
    Por acaso so’ na~o ando com o discman porque recambio os meus albuns todos para Portugal, ‘a espera do momento em que possa finalmente assentar arraiais. Enquanto isso, o convencional ipod vai-me enchendo as medidas.

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