O Nuno Gomes voltou hoje a fazer balançar as redes, depois de uma ausência longa (e pouco habitual) forçada obviamente pelo seu afastamento da equipa titular e de alguns minutos sequer como suplente.
Ver o Nuno Gomes a marcar aquele que será seguramente um dos seus últimos golos de sempre com a camisola d’O Glorioso e, quiçá, da sua carreira teve em mim o mesmo efeito que o primeiro golo que o Mantorras marcou há uns anos frente ao Boavista na Luz depois da sua enorme ausência dos relvados provocou: o da alegria sincera e espontânea. Se no golo do Mantorras celebrava-se um regresso que acabou por nunca se confirmar, com este golo do Nuno Gomes começa-se a celebrar aquela que foi uma carreira de não fazer envergonhar ninguém. Longe disso.
Levo cerca de 25 anos a ver o Benfica a jogar e entre todos esses anos, vi muito bom jogador a passar pela Luz. Uns com mais sucesso do que outros, é certo. Mas de entre todos esses jogadores, foram pouco os que vi a jogarem com a elegância e inteligência do Nuno Gomes. Tirando o saudoso sueco, Matts Magnusson, não me lembro de o Benfica ter tido um jogador que jogasse tão bem de costas para a baliza e, mais importante que tudo, que fizesse os seus colegas jogarem tão bem. O Nuno Gomes sempre viveu entre duas nuances: o de ser um número nove puro (que nunca o foi) ou de ser um oito-e-meio, metade organizador de jogo, metade segundo avançado. Porventura a sua carreira nunca beneficiou dessa indecisão, mas por outro lado o Benfica e a própria Selecção Nacional acabavam por ter nas suas fileiras um jogador com características únicas em Portugal.
Desde tabelinhas e toques de primeira a desmarcar colegas ou a marcar golos, ver o Nuno Gomes jogar foi sempre um regalo para os meus olhos. Podiam as más línguas dizer que em campo, ele preocupar-se-ia mais com a elegância dos seus cabelos do que com a elegância do seu jogo – Puro engano e clara má vontade. Fosse ainda com o xadrez do Boavista, com o roxo de Florença, com o vermelho da selecção ou o encarnado do Benfica, o Nuno Gomes deu-nos a nós Benfiquistas e esporadicamente aos adeptos das Quinas (Euro 2000 – i e ii – e 2004, especialmente), momentos de futebol fantásticos e numa altura em que só se vê tango argentino na frente de ataque d’O Glorioso, não nos esqueçamos que nos últimos dez anos quem época após época deu o tango maior foi um senhor jogador da bola Português, de seu nome Nuno Gomes. E será com sincera pena que o verei a pendurar as botas para não mais explanar a sua inteligência de jogo em campo.
Compilação vídeo de alguns dos melhores momentos de Nuno Gomes (o botão do mute recomenda-se).

Pronto, pronto, não chores. :-p
Sou um gajo sentimentalista, pá 🙂 E olha que foi movido a sentimentalismo que espontaneamente decidi escrever sobre bola, algo raro por estas bandas.
Bem, ora aqui fica uma perspectiva diferente, em jeito de elogio. Nunca leio nada sobre bola, mas leio os teus posts, porque são bem escritos e “sentimentais”, o que os torna bastante agradáveis de ler ( e uma gaja sempre aprende umas coisas). Isto tudo para dizer que me parecem relativamente frequentes. I.e. raramente escreves sobre isso (tu q escreves mto), mas eu volta e meia leio um artigo desses teu (q raramente leio sobre isso). Ui… prevejo que com estes raciocinios será um dia complicado!
É pá, elogios assim à minha pessoa é que são uma raridade 🙂 Uma raridade que te agradeço e que, já agora, devolvo da mesma forma. Aliás, não fosse a tua escrita (quer em forma de posts, quer em forma de comentários) carregada de igual sentimento e, acima de tudo genuinidade, e não seria eu teu visitante atento (embora mais acanhado, admito).
Dia muito complicado, confirma-se 😉
Agradeço, embora eu só escreva tolices. Esse é outro aspecto triste da nossa sociedade, os elogios são cada vez mais raros, mas isso não significa que não sejamos bons. 🙂