November 24, 2010 12

Portugal

By in Portugal, Sociedade

Sendo eu um dos “um em cada dez licenciados [que] abandona o país”, citando o Público de hoje, e embora não tivesse sido forçado na altura a abandoná-lo por falta de emprego, sinto-me – isso sim – forçado a manter-me cá fora, dado o actual estado deplorável do país, cujas perspectivas parecem apenas piorar de política em política e de Governo em Governo. Num país onde se alimenta um monstro chamado função pública, o problema maior chama-se corrupção e mentalidade. Corrupção da classe política e larga maioria dos seus associados e mentalidade de um povo que exige um Governo e políticas paternalistas, povo esse maioritariamente de feitio passivo e demasiado dado à chico-espertisse. Ambos têm de mudar. Apesar dos sucessivos Governos virem a dimiuir o tamanho dessa função pública ao longos dos últimos anos (embora ainda longe dos números necessários), tenho a impressão de que o verdadeiro monstro que vai comendo o país de dentro para fora, tarde ou nunca será eliminado e enquanto a mentalidade dos politicos – seguidos da também necessária mudança de mentalidade dos Portugueses – não mudar definitivamente, continuaremos a ser pois um país de emigrantes.

Por isto, e pela geração que mais enrrabada foi (e continuará a ser) desde dos tempos da ditadura – a minha – convido-vos à leitura do artigo do Público de hoje, ‘Portugal está a deixar cair a geração mais qualificada’.

Nao me revejo em quaisquer sindicatos e muito menos na greve geral de hoje. Revejo-me, isso sim, numa revolução necessária de mentalidades silenciosa que teima em acontecer.

12 Responses to “Portugal”

  1. Helena says:

    Já tinha lido o artigo por referência de um outro blogue. Não tirando razão a absolutamente nada do que escreveste, alerto para a faceta escondida do artigo: “Os melhores estão a sair.” Não sei deva, ou possa concordar com isso. Dá a ideia de que os que cá ficam não prestam, são inferiores, perpetuando o pessissimismo português e o pensamento tacanho que diz que o que é estrangeiro é melhor.
    Não esqueçamos que somos um país com falta de médicos, mas os nossos hospitais e centros de saúde preferem pagar mais e contratar estrangeiros do que contratar os nossos.
    Ainda sobre o texto, e já tinha escrito algo semelhante noutro post teu, “os mais qualificados, os mais competentes, são os mais ousados” e são os que ficam e iniciam o próprio negócio, como volta e meia vemos nas notícias, feiras e congressos. “Os que assumem o risco de ir para fora” aproveitam uma oportunidade. Pois claro, quem tem cu tem medo.
    Não quero, com isto, ofender, nem quero ser mal interpretada. Na minha área, é natural que as pessoas emigrem. Aliás, muitas das minhas amigas emigraram. Simplesmente, acho que há que medir bem as palavras. Acho que esse artigo é muito tendencioso e está a esquecer-se daqueles que ficam e fazem qualquer coisa pelo país.

  2. Ric Jo says:

    Compreendo perfeitamente o teu ponto de vista e aceito a tua visao de que tem-se a tendencia a dizer que os melhores sairam e os que ficaram valem menos. Tal como tu, nao podia estar mais em desacordo com isso e se sei que o jornal em questao tem uma tendencia geral clara para o intelectualismo e snobismo Portugues (que na realidade nao passa de fachada na maioria das vezes). Penso que a ideia deste artigo em particular seria simplesmente ‘alertar’ para o facto de haver muita gente qualificada a sair do pais. Assim como fica ainda muita gente igualmente qualificada em Portugal, obviamente. De facto ouve-se e le-se mais sobre a perspectiva de quem parte do que aqueles que ficam. Mas tal como acho que e’ necessario coragem para se deixar para tras o seu pais, familia e amigos para se ir trabalhar para um pais onde a cultura e as linguas sao diferentes, acho igualmente corajoso ficar-se em Portugal neste momento. Mas ha que ter em conta que muitos que ficam em Portugal nao o fazem tendo por missao ajudar a melhorar o pais. Fazem-no por simples comodismo – porque da muito trabalho sequer pensar em sair e/ou porque nao querem deixar para tras os seus entes queridos – o que e’ justo. Portanto nao creio estar bem vangloriar-se uma situacao ou outra: emigrantes e residentes. Cada caso e’ um caso e no meu, ate tinha emprego em Portugal. Simplesmente queria experimentar trabalhar no estrangeiro para depois regressar novamente a Portugal com outras condicoes. Nao sou heroi absolutamente nenhum. Mas e’ ai que agora a porca torce o rabo, pois ja la vao 3 anos e provavelmente virao mais 3 sem ter as condicoes que considero desejaveis para regressar. Se entretanto o decidir fazer, estando o pais como esta’, entao ai sim: considerar-me-ei heroi. Mas por enquanto, por ca continuo com amiaufa (ou la como se escreve)!

    De qualquer das formas, ha claramente um sociedade desiqulibrada no nosso pais: paga-se demais a uns e de menos a outros. Qualificam-se muitos (nunca serao a mais, apesar de haver sempre a necessidade de se ter uma franja menos qualificada na sociedade! So ‘Doutores e Engenheiros’ e estaria ainda pior o pais), nao se conseguindo dar vazao a eles todos para depois se ir contractar estrangeiros para certos lugares chaves. Vivem muitos mais no litoral que no interior e, acima de tudo, ha a puta da mentalidade do chico esperto e do comodismo em muito boa gente, muitos deles com poderes de afluencia e de influencia. Mas nao so.

    So sei que o feedback (i.e. gozo) que recebi hoje por parte dos meus colegas sobre a situacao do nosso pais (FMI e a greve de hoje) nao foi muito bonita (para nao usar outra expressao) e ha uma palavra inglesa que descreve muitissimo bem o que passei o almoco a fazer com isso tudo: cringe.

  3. olha meu caro Ric, houve poucas coisas que me souberam tão bem na vida como a experiência de hoje de ter participado numa manifestação anti-capitalista. é melhor que partir pratos. revoluções silenciosas não existem. 😉

    abraço rijo!

  4. já tetinha mostrado isto, acho: http://theportugueseeconomy.blogspot.com/2010/03/portuguese-brain-drain.html

    isto por dizer que o artigo não traz nada de novo, embora não deixe de ser muito interessante e pertinente.

  5. ricjo says:

    Simm, já tinhas deixado o link. Esse artigo acaba por ser mais interessante. O do Público apenas trás mais exposição pública, no fim das contas.

    Quando digo revolução silenciosa, estou a referir-me a mudanças a nível de educação, que consequentemente mudarão mentalidades.

    Ainda bem que curtiste, Tiago. Pessoalmente não tenho nada contra empresas privadas que tentam obter lucros ao dar emprego ao povo e proporcionando bons serviços aos seus clientes… Agora se me falares da banca, aí a conversa é diferente.

  6. eu says:

    por o tema ser Portugal, comentei aqui !

    Pensei que hoje pela manhã o Mourinho estaria neste Blog !

    Bom Dia ! e hoje por boas razões Portugal fará capas de jornais e noticias ! 🙂

    • Keys says:

      If I conaemicmtud I could thank you enough for this, I’d be lying.

    • Napat says:

      Im very thankful to you, its rellay very useful stuff for me..I wil definately refer it to my friends who wants to improve their english..Thanks & All the best.

    • Willem says:

      Aha, va să zică ai făcut poza din spate, special ca să incroduti deruta printre spectatori ca mine cărora le place să scormonească een idei precum găina-n grămadă. Tramvaiul ăla al tău a cauzat un mare butterfly effect prin amintirile mele M-a făcut să caut poze cu vagonul pe care l-am condus cu mai bine de 20 de ani een urmă, pe străzile Brăilei. Din păcate, am aflat că a fost retras prematur, eencă nu ştiu de ce poate că i-a fost prea dor de mine şi s-a sinucis prin foc sau poate, cine ştie censă am avut ocazia să colind virtual pe străzile de odinioară, pe care abia le-am recunoscut acum, după ateeta vreme. Ciudat cum m-am putut simţi acasă eentr-un oraş străin, iar aici, een oraşul natal, parc-aş fi prizonierul vreunei rase de alieni care abia aşteaptă să mă eenfulece Cred că temperaturile alea ridicate au ocolit zona asta crepusculară a mea, căci eencă (eemi) e rece. Pe undeva şi-n suflet. Se cere eencălzitor lichid. S-avem o seară plăcut călduţă, pe toate părţile!

  7. Ric Jo says:

    🙂 Estive quase, quase para escrever, mas a falta de tempo não me deixou. Se bem que, e só mesmo para gerar conversa, seria porventura numa perspectiva um pouco mais derrotista.

    Mas claro, como Português também fiquei muito contente com o feito. Triste é ter de dizer que é Português. Nem o maior tá a salvo do complexo da inferioridade 😉

    Parabéns ao Mr. que aprendeu tudo o que sabe, claramente, para os lados de Benfica!

  8. Ric Jo says:

    Afinal, lá decidi escrever. Só mesmo para provocar, pois tenho muito orgulho no nosso conterrâneo 🙂

  9. eu says:

    respondi para provocar, eheheh!

    Na verdade ficamos todos muito orgulhosos !

    🙂

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