Sendo eu um dos “um em cada dez licenciados [que] abandona o país”, citando o Público de hoje, e embora não tivesse sido forçado na altura a abandoná-lo por falta de emprego, sinto-me – isso sim – forçado a manter-me cá fora, dado o actual estado deplorável do país, cujas perspectivas parecem apenas piorar de política em política e de Governo em Governo. Num país onde se alimenta um monstro chamado função pública, o problema maior chama-se corrupção e mentalidade. Corrupção da classe política e larga maioria dos seus associados e mentalidade de um povo que exige um Governo e políticas paternalistas, povo esse maioritariamente de feitio passivo e demasiado dado à chico-espertisse. Ambos têm de mudar. Apesar dos sucessivos Governos virem a dimiuir o tamanho dessa função pública ao longos dos últimos anos (embora ainda longe dos números necessários), tenho a impressão de que o verdadeiro monstro que vai comendo o país de dentro para fora, tarde ou nunca será eliminado e enquanto a mentalidade dos politicos – seguidos da também necessária mudança de mentalidade dos Portugueses – não mudar definitivamente, continuaremos a ser pois um país de emigrantes.
Por isto, e pela geração que mais enrrabada foi (e continuará a ser) desde dos tempos da ditadura – a minha – convido-vos à leitura do artigo do Público de hoje, ‘Portugal está a deixar cair a geração mais qualificada’.
Nao me revejo em quaisquer sindicatos e muito menos na greve geral de hoje. Revejo-me, isso sim, numa revolução necessária de mentalidades silenciosa que teima em acontecer.
Já tinha lido o artigo por referência de um outro blogue. Não tirando razão a absolutamente nada do que escreveste, alerto para a faceta escondida do artigo: “Os melhores estão a sair.” Não sei deva, ou possa concordar com isso. Dá a ideia de que os que cá ficam não prestam, são inferiores, perpetuando o pessissimismo português e o pensamento tacanho que diz que o que é estrangeiro é melhor.
Não esqueçamos que somos um país com falta de médicos, mas os nossos hospitais e centros de saúde preferem pagar mais e contratar estrangeiros do que contratar os nossos.
Ainda sobre o texto, e já tinha escrito algo semelhante noutro post teu, “os mais qualificados, os mais competentes, são os mais ousados” e são os que ficam e iniciam o próprio negócio, como volta e meia vemos nas notícias, feiras e congressos. “Os que assumem o risco de ir para fora” aproveitam uma oportunidade. Pois claro, quem tem cu tem medo.
Não quero, com isto, ofender, nem quero ser mal interpretada. Na minha área, é natural que as pessoas emigrem. Aliás, muitas das minhas amigas emigraram. Simplesmente, acho que há que medir bem as palavras. Acho que esse artigo é muito tendencioso e está a esquecer-se daqueles que ficam e fazem qualquer coisa pelo país.
Compreendo perfeitamente o teu ponto de vista e aceito a tua visao de que tem-se a tendencia a dizer que os melhores sairam e os que ficaram valem menos. Tal como tu, nao podia estar mais em desacordo com isso e se sei que o jornal em questao tem uma tendencia geral clara para o intelectualismo e snobismo Portugues (que na realidade nao passa de fachada na maioria das vezes). Penso que a ideia deste artigo em particular seria simplesmente ‘alertar’ para o facto de haver muita gente qualificada a sair do pais. Assim como fica ainda muita gente igualmente qualificada em Portugal, obviamente. De facto ouve-se e le-se mais sobre a perspectiva de quem parte do que aqueles que ficam. Mas tal como acho que e’ necessario coragem para se deixar para tras o seu pais, familia e amigos para se ir trabalhar para um pais onde a cultura e as linguas sao diferentes, acho igualmente corajoso ficar-se em Portugal neste momento. Mas ha que ter em conta que muitos que ficam em Portugal nao o fazem tendo por missao ajudar a melhorar o pais. Fazem-no por simples comodismo – porque da muito trabalho sequer pensar em sair e/ou porque nao querem deixar para tras os seus entes queridos – o que e’ justo. Portanto nao creio estar bem vangloriar-se uma situacao ou outra: emigrantes e residentes. Cada caso e’ um caso e no meu, ate tinha emprego em Portugal. Simplesmente queria experimentar trabalhar no estrangeiro para depois regressar novamente a Portugal com outras condicoes. Nao sou heroi absolutamente nenhum. Mas e’ ai que agora a porca torce o rabo, pois ja la vao 3 anos e provavelmente virao mais 3 sem ter as condicoes que considero desejaveis para regressar. Se entretanto o decidir fazer, estando o pais como esta’, entao ai sim: considerar-me-ei heroi. Mas por enquanto, por ca continuo com amiaufa (ou la como se escreve)!
De qualquer das formas, ha claramente um sociedade desiqulibrada no nosso pais: paga-se demais a uns e de menos a outros. Qualificam-se muitos (nunca serao a mais, apesar de haver sempre a necessidade de se ter uma franja menos qualificada na sociedade! So ‘Doutores e Engenheiros’ e estaria ainda pior o pais), nao se conseguindo dar vazao a eles todos para depois se ir contractar estrangeiros para certos lugares chaves. Vivem muitos mais no litoral que no interior e, acima de tudo, ha a puta da mentalidade do chico esperto e do comodismo em muito boa gente, muitos deles com poderes de afluencia e de influencia. Mas nao so.
So sei que o feedback (i.e. gozo) que recebi hoje por parte dos meus colegas sobre a situacao do nosso pais (FMI e a greve de hoje) nao foi muito bonita (para nao usar outra expressao) e ha uma palavra inglesa que descreve muitissimo bem o que passei o almoco a fazer com isso tudo: cringe.
olha meu caro Ric, houve poucas coisas que me souberam tão bem na vida como a experiência de hoje de ter participado numa manifestação anti-capitalista. é melhor que partir pratos. revoluções silenciosas não existem. 😉
abraço rijo!
já tetinha mostrado isto, acho: http://theportugueseeconomy.blogspot.com/2010/03/portuguese-brain-drain.html
isto por dizer que o artigo não traz nada de novo, embora não deixe de ser muito interessante e pertinente.
Simm, já tinhas deixado o link. Esse artigo acaba por ser mais interessante. O do Público apenas trás mais exposição pública, no fim das contas.
Quando digo revolução silenciosa, estou a referir-me a mudanças a nível de educação, que consequentemente mudarão mentalidades.
Ainda bem que curtiste, Tiago. Pessoalmente não tenho nada contra empresas privadas que tentam obter lucros ao dar emprego ao povo e proporcionando bons serviços aos seus clientes… Agora se me falares da banca, aí a conversa é diferente.
por o tema ser Portugal, comentei aqui !
Pensei que hoje pela manhã o Mourinho estaria neste Blog !
Bom Dia ! e hoje por boas razões Portugal fará capas de jornais e noticias ! 🙂
If I conaemicmtud I could thank you enough for this, I’d be lying.
Im very thankful to you, its rellay very useful stuff for me..I wil definately refer it to my friends who wants to improve their english..Thanks & All the best.
Aha, va să zică ai făcut poza din spate, special ca să incroduti deruta printre spectatori ca mine cărora le place să scormonească een idei precum găina-n grămadă. Tramvaiul ăla al tău a cauzat un mare butterfly effect prin amintirile mele M-a făcut să caut poze cu vagonul pe care l-am condus cu mai bine de 20 de ani een urmă, pe străzile Brăilei. Din păcate, am aflat că a fost retras prematur, eencă nu ştiu de ce poate că i-a fost prea dor de mine şi s-a sinucis prin foc sau poate, cine ştie censă am avut ocazia să colind virtual pe străzile de odinioară, pe care abia le-am recunoscut acum, după ateeta vreme. Ciudat cum m-am putut simţi acasă eentr-un oraş străin, iar aici, een oraşul natal, parc-aş fi prizonierul vreunei rase de alieni care abia aşteaptă să mă eenfulece Cred că temperaturile alea ridicate au ocolit zona asta crepusculară a mea, căci eencă (eemi) e rece. Pe undeva şi-n suflet. Se cere eencălzitor lichid. S-avem o seară plăcut călduţă, pe toate părţile!
🙂 Estive quase, quase para escrever, mas a falta de tempo não me deixou. Se bem que, e só mesmo para gerar conversa, seria porventura numa perspectiva um pouco mais derrotista.
Mas claro, como Português também fiquei muito contente com o feito. Triste é ter de dizer que é Português. Nem o maior tá a salvo do complexo da inferioridade 😉
Parabéns ao Mr. que aprendeu tudo o que sabe, claramente, para os lados de Benfica!
Afinal, lá decidi escrever. Só mesmo para provocar, pois tenho muito orgulho no nosso conterrâneo 🙂
respondi para provocar, eheheh!
Na verdade ficamos todos muito orgulhosos !
🙂