January 6, 2011 2

É mentira

By in Musica

Sempre que parto de Portugal, trago sempre comigo uma carga de revistas para que possa ler durante os 3 ou 4 meses até à minha próxima viagem de visita. De entre os vários títulos que trago comigo, a Blitz é uma delas. Trata-se de um nome que traz grande peso consigo, com muitos anos de muito boa história aquando do seu formato em jornal. Passado a revista, talvez não seja tão gloriosa, pecando talvez por depender em demasia da cedência e tradução de demasiados artigos dos seus irmãos internacionais mais velhos e de maior respeito. Seja como for, trata-se da forma mais directa que tenho em-me manter actualizado no que à música portuguesa concerne. E nesse efeito, sempre vai dando para estar um pouco a par da coisa.

Na viagem de regresso a Londres da última segunda-feira, meti-me a ler a edição #54, última de 2010 da Blitz. A páginas tantas, dou comigo de caras com o senhor Pedro Pais, o João, e o senhor Vedder, o Eddie (pós amigos) na mesma página. Mais que isso até – na mesma secção. E mais pertinhos ainda – no mesmo artigo.

À partida, em situações de grande stress ou de surpresa, o nosso corpo está programado com vários automatismos instintivos que nos ajudam a ultrapassar momentaneamente aqueles momentos. Ok, de hoje em dia não se compara a paixão que tinha outrora pelos Pearl Jam, mas o desgosto que nutro pelo João Pedro Pais mantém-se igualzinho. Era juntá-lo a ele, à Mafalda Veiga e ao André Sardet num frasco pequeno de vidro e teríamos à disposição de todos o maior antídoto à comida salgada. As variantes ‘insonso’ e ‘insosso’ não chegam para catalogar o quão sem sal eles são. Seriam minimamente necessárias, com certeza, mais três ou quatro variantes do mesmo adjectivo.

No primeiro quarto da revista encontra-se então o artigo a que me refiro, de seu nome ‘O Disco Da Minha Vida’. No caso, da vida do João Pedro Pais. Vários nomes têm passado por esta secção e acho justíssimo que o Pedro Pais tenha também a oportunidade de poder partilhar com quem não o desdenha, o disco que mais o marcou. E qual o disco que ocupa tal posição? Nem mais nem menos que a banda sonora do (grande filme) Into The Wild, de autoria de Eddie Vedder.

Ora, aqui a surpresa é dupla. Antes de mais, e apesar de gostar bastante do disco, surpreende-me que ele possa ser classificado como álbum da vida seja de quem for. Se me falarem de história ou filme da vida, aí estaremos de acordo. Agora banda sonora mais importante da vida de outrém?, custa-me a crer. A segunda surpresa, claro está, é o facto de o Pedro Pais ter chamado à baila o vocalista dos Pearl Jam. À partida diria que não combinariam. Mas no fundo, acho mesmo que com uma boa garrafa de vinho, um par de guitarras e um fogo quentinho, era senhor para até passar um serão jeitoso com o João a jammar.

Preconceitos? Talvez. Mas pá, não fui eu que construí uma carreira totalmente à base do pop mais insonso & insosso a que o país já teve a (infeliz) oportunidade de ouvir.

2 Responses to “É mentira”

  1. Cátia says:

    Podes juntar aí no pacote o Luis Represas! Beijinhos

  2. Helena says:

    Quando li isto: “Era juntá-lo a ele, à Mafalda Veiga e ao André Sardet num frasco pequeno de vidro” só me lembrei disto: “Queria agarrá-o, mete-lo no meu frasco, fechá-lo bem para não fugir”. Musiquinha só por si bastante irritante.
    Que ultraje! Como se atreve ele a invocar o nome do Eddie em vão? eheheheheheh
    Ele deve ser daqueles que têm o complexo do “gostava tanto de ser fixe” e pensou que se falasse neles seria um ponto a seu favor.
    Também acho muito estranha a escolha dele, até porque é um álbum relativamente recente e ele já tinha iniciado a carreira há muito. Em que é que isso o influenciou? Em que é que isso o marcou? Enfim, tretas…

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