Mourinho, o emigrante português, triunfa fora de portas e vê-lhe ser reconhecido o mérito num ambiente estrangeiro que é geralmente dada à meritocracia. Mas nem mesmo os grandes, os maiores, são imunes ao complexo de inferioridade que marca os portugueses. E o emigrante Mourinho nesse aspecto provou ser pequeno. Tão pequeno como todos nós-outros portugueses, ao fazer questão de se afirmar como nosso conterrâneo logo no abrir do seu discurso. Há genes tugas de que nem os grandes portugueses se livram.

há muito que não via/ ouvia algo tão foleiro. para ser sincero, nem esperava ouvir o que ouvi de Mourinho. e acho que tem haver mais com um gene mais dele do que propriamente com uma matriz cultural portuguesa. é que ele podia – e eu até valorizava – falar em português. agora ter que o justificar e, pior, justificar como ele justificou logo a abrir o discurso com orgulhos e o caralho a sete, foi bem mais pimba que mil fonsecas em dueto com o luís represas. foda-se, mas olha é futebol primo. um que é que um gajo esperava?
Não concordo Nada ! queria que ele fala-se que língua ! Mas se calhar se ele tive dito a mesma coisa mas em inglês tinha suado mas intelectual ! o peço desculpa é que pareceu mal ?
caro/a “eu”, a língua portuguesa não precisa de desculpas nem justificações para ser falada. o ego do moinho é que afinal é tão grande que até já o faz olhar de cima para a sua própria língua. o que até para um estrangeiro soa a ridículo.
Ric, estou confusa. Não vi, nem li o discurso, mas li algumas coisas sobre isso. Só sei que o homem falou em Português, justificando-se pela sua nacionalidade. Falas em complexo de inferioridade e eu, talvez por estar cansada, ou por ser mesmo lerda, não percebi. É pelo mesmo motivo que o Alfredo indicou? Achas que não precisava de justificações? Ou que olha de cima para a sua própria língua?
A mim, de facto, não me ocorreu tal coisa, talvez seja ingenuidade minha. Parvo, parvo, foi ver todos aqueles comentários e posts em blogues e facebooks que quase elegeram o homem a Presidente da República por ter falado na sua própria língua. Parece que, por momentos, os portugueses recuperaram um pouco de seu orgulho das conquistas além-mar. Não importa que o país esteja na mais profunda podridão, ó orgulho dos orgulhos, o nosso Sebastião voltou para devolver a dignidade à pátria. Isto sim, é tipicamente português.
Quanto à escolha do idioma, pareceu-me uma coisa muito inteligente da parte do Mourinho. Aliás, ele está onde está porque não dá ponto sem nó. Poderia ter falado em Espanhol ou em Inglês, mas sabia que seria vaiado em Portugal, porque nós somos o que somos. Poderia ter falado em Espanhol ou Inglês, mas é em Português que ele se expressa melhor, afinal de contas é a sua língua mãe. Poderia ter falado em Espanhol ou Inglês, mas nenhum destes países se sentiria ofendido por ele escolher a sua língua mãe, e assim poderia dar um pouco de graxa cá por casa, pois ele nunca escondeu o seu desejo de treinar a nossa selecção (quando estiver, obviamente, no fim de carreira).
Quanto à sua justificação, interpretei-a como um pedido de desculpas por escolher uma língua não tão vulgar, naquele que seria um acontecimento internacional, onde a escolha óbvia seria o Inglês. Mais uma vez, afirmo que não vi o discurso, por isso não sei se haveria tradutores ou intérpretes disponíveis, mas deduzi que tivesse sido esse o motivo. Aliás, acho muito bem que falem em Português por esse mundo a fora, eu e os meus colegas agradecemos o trabalho. 🙂
Só para “contrarear”. Em bom português é contrariar 🙂
E, “haver” se nos entendemos, “fala-se” ele em português ou falasse noutra língua, isso não tem nada a ver com genes. Tem a ver com feitio, e o dele, é feitio de vencedor.
Peço eu desculpa pelo meu erro de Português ! Mas tb acho que sendo ele tão bom na sua profissão, tem o direito de ter aquele “feitio”. Se colocarmos a mão na consciência, se cada um de nós fosse tão “bom” assertivo nas nossas profissões, o nosso ego seria do mesmo tamanho, ou não?
Ficaríamos fechados, não publicaríamos papers, não divulgaríamos as novas descobertas, não promoveríamos as nossas empresas, a empresa dele é ele próprio o projecto dele é ele próprio, ser o melhor treinador do mundo ( os seus jogadores assim o dizem ). E investe nele intelectualmente !!!
E o feitio vem dos genes ?
Essa questão de que no futebol não se pode esperar muito, porque ?
Hello all,
Passagem rapida num intervalo de formacao apenas para deixar um pouco mais explicado o meu ponto de vista. A menos que a organizacao do evento tenha pedido a Mourinho para falar noutra lingua, o facto de ele se declarar como Portugues e informar que iria falar em Portugues parece-me um acto de alguem que nao olha de cima para baixo (nao e’ esse o meu ponto de vista), mas sim de baixo para cima, tal qual a larguissima maioria dos Portugueses. Esteve muitissimo bem em falar em Portugues, mas explicando (ou basicamente desculpando-se) que iria faze-lo porque era Portugues (no’s somos pequenos e mesmo assim conseguimos ganhar esta merda tantas vezes!), pareceu-me a mim um sinal de pequeninez, que nem o maior dos Portugueses no mundo (na opiniao de muitos, nao propriamente na minha) e um grande vencedor evitou.
Claro esta’ que tudo isto esta’ aberto a interpretacoes e esta e’ apenas a minha.
E quando falo de genes, faco-o como metafora, pois claro.
Nao tenho tempo agora para mais!
Entao, tas bom? Eh pa, vai-se andando.
Sabes, há os portugueses que em toda a merdinha vêem a salvação da pátria e fazem a sua consequente exaltação. E depois há os portugueses, talvez mais iluminados, não sei, que vêem em toda a merdinha os nossos defeitos. Acho que com tudo o que se tem passado, isto foi um acontecimento tão, tão irrelevante… Continuo a não perceber o teu ponto de vista, mas eu sou mesmo lerda (é daí que vem a minha alcunha), ou talvez seja limitada por nuna ter vivido fora do país e não consigo ver as coisas de outra forma. Só gostava que os portugueses se preocupassem mais em não reeleger o Cavaco, em vez de se preocuparem com o que o Mourinho disse. 🙂
Nao se trata de iluminados ou nao iluminados. Muito menos se trata de viver ou nao no estrangeiro. Tratam-se apenas de opinioes sobre um assunto que e’ tao importante como qualquer outro que publique aqui sobre musica ou revistas. E’ igual. Por aqui abstenho-me de comentar sobre politica. Deixei de o fazer a partir do momento em que deixei de residir no pais, pois estando afastado da realidade do dia-a-dia, prefiro fazer esse ‘debate’ politico ‘a volta de uma mesa com outros em pessoa com quem possa trocar ideias e eventualmente aprender alguma coisa sobre o que por ai se vai passando, complementando assim a informacao (filtrada) dos orgaos de comunicacao social.
Vivendo no estrangeiro ou nao, preocupo-me pelo nosso pais tanto como os que ai continuam a residir. E escrever um post sobre o Mourinho e nao sobre o Cavaco ou o Alegre em nada altera isso.
Não me fiz entender… Quando disse que gostava que os portugueses se preocupassem mais em não reeleger o Cavaco, blá, blá, blá, não me referia a ti, ou a este blogue, mas sim à onda de comentários que se gerou em toda a blogesfera, redes socias e imprensa em torno do “acontecimento Mourinho.”
Quanto ao resto, receio ter sido mal interpretada. Voltando a ler o que escrevi, parecia um ataque à tua pessoa e não foi de todo essa a intenção. Nem o poderia fazer, pois não te conheço. Apenas quis dizer que já li aqui diversas vezes criticas ao típico português, que são inteiramente verdade, e que poucos, vivendo cá, se apercebem dessa realidade. Também é certo, e atenção que não me refiro à tua pessoa, pois não te conheço, mas agora sim fundamentando-me em todos os outros emigrantes que conheço (e são muitos), existe muita tendência para exagerar nessas características tugas. Claro está, este exagero é subjectivo. Exemplifico com a análise a uma relação amorosa. Quem está de fora vê sempre as coisas de forma muito clara, coisas que os principais afectados não conseguem ver, até se libertarem dessa relação. Era isso que queria dizer. Estando aqui, muitas vezes não consigo ver as coisas de outra forma. Forma essa que será muito mais clara para quem, mesmo continuando a amar o seu país, de certa forma se desenraizou da origem tuga. Capice? Peace!
Mas qual é o problema dele falar em português? O messi também não falou em espanhol quando recebeu a bola de ouro para melhor jogador? O tuga tem é mania de dizer mal, esse sim é o nosso principal defeito! Ou isso ou então não percebi nada do que foi para aqui escrito!!!!
Gostei muito que ele fala-se em Português !
Acho que quem vê Portugal do lado de fora é que vê com olhos de um Namorado, que não consegue ver os defeitos verdadeiros da pessoa só vê os que não combinam consigo próprio.
Mas vê sempre de uma forma apaixonada !
Portugal 🙂
Eu percebi Helena e desculpa se entendi mal algum sentido da tua mensagem. Claro que não me conhecendo, torna-se mais difícil opinares, mas confesso que haverá alguma tendência de quem vive fora de exagerar algumas características de Portugal e dos Portugueses, tanto boas como más. Mas tudo se resume à distância e à ligação forte que se tem com o país. Como diz a ‘Eu’, vê-se sempre de uma forma apaixonada. Pessoalmente, quanto mais próxima é-me uma pessoa, mais exigente sou com ela. A minha irmã que o diga 😉
Anyway, e já agora Cátia, lol, leste mal sim. Aqui não se criticava obviamente ter falado em Português, mas sim ter sentido a necessidade de afirmar que era Português e tudo mais, como se o mundo não soubesse já.
Anyway, a ideia era precisamente esta: provocar o debate, pois estive mesmo para nem escrever nada. Mas ainda bem que o fiz 😉
Entendeste o discurso dele como um tique de pequenes, tão caracteristico de “todos nós-outros portugueses”? Pequeno e Mourinho não me parece grande combinação, para mim o discurso dele foi uma forma muito educada de provocação.
Achas que o Mourinho com aquela carinha queria pedir desculpas a alguém?
Aos meus ouvidos aquilo sou-me mais ao menos assim: “Mamem ai meus cab#$%& do car!”#$ este é para todos vocês, aqueles que não votaram em mim e todos aqueles que me tentam derrubar todos os dias, e já agora, i´m very proud of being Portuguese”.
Para mim fazem-nos falta é muitos mais como ele…
Abraço!
pc
(em minúsculas como bom Portugues:)