February 20, 2011 2

Where art thou, Guitar?

By in Musica, Opinião

Sento-me aqui a escrever enquanto oiço pela, pelo menos, décima-quinta vez o último álbum dos Radiohead, cujo lançamento foi antecipado para a sexta-feira 19 Fevereiro. E faço-o ainda sem saber completamente o que hei-de pensar deste oitavo longa-duração de originais de Thom & Co.

Provavelmente a primeira coisa que me vem à cabeça será isso mesmo – soa-me a um álbum de Thom Yorke e companhia e não um álbum de Jonny Greenwood, Ed O’Brien, Colin Greenwood, Phil Selway e Thom Yorke. Se me dissessem que este ‘The King Of Limbs‘ fosse uma continuação do trabalho a solo de Thom Yorke, um sucessor do fantástico ‘The Eraser‘ de 2006, então diria que faria todo o sentido. Como trabalho dos Radiohead? Dadas as influências actuais da banda plenamente expostas através das playlists do Spotify publicadas no seu Dead Air Space e claramente presentes neste trabalho, então também faz sentido. Mas para uma banda que desde de ‘Kid A‘ adoptou a electrónica de forma feroz mas cuja tendência tinha vindo a ser nos últimos trabalhos a de uma maior harmonização entre essa mesma electrónica e a guitarra, o mundo orgânico, presente nos seus trabalhos seminais, então a coisa já não faz tanto sentido. Ou provavelmente fará o mais sentido possível, visto que o comportamento típico dos Radiohead é precisamente esse: o inesperado.

Confesso que apesar de ser um apaixonado pelo ‘Kid A’ e o ‘Amnesiac‘, nunca deixei de gostar mais de ouvir uma guitarra por entre os meandros da electrónica da banda do que não ouvir. E andava contente com o percurso que os Radiohead vinham a tomar desde dos dois álbuns supracitados. Em ‘Hail To The Thief‘ in ‘In Rainbows‘ tivemos um pendor muito mais orgânico, mas sem o experimentalismo electrónico nunca ser descurado. E isso serviria-me bem. E com o lançamento do single ‘These Are My Twisted Words‘ no verão de 2009, onde a guitarra é presença constante, pensei sempre que esta voltasse a ser a forma com que o ‘The King Of Limbs’ fosse moldado. Mas como eu estava enganado. Nos oito temas deste trabalho, ouvimos riffs de guitarra minimalistas em apenas metade dos temas e confesso que me deixou um travo amargo o facto de nem uma guitarrada ter saído deste álbum – isto é, não consigo ouvir um tema que seja onde um rocker amador possa pegar na sua guitarra em casa e sacar uns belos acordes. Um único. E por mais complexo, sublime e elaborado que seja um álbum dos Radiohead como o ‘The King Of Limbs’ (porque o é mesmo), parte da magia que acompanha a banda inglesa são as jams pessoais que ela comporta em casa de cada um e no seio do grupo de amigos de todos nós. E se até do ‘Kid A’ eu conseguia sacar uma guitarrada de um tema sem uma sequer – ‘Idioteque‘, deste ‘The King Of Limbs’ nem isso consigo.

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2 Responses to “Where art thou, Guitar?”

  1. ric says:

    Sim, versões acústicas consegue-se sempre sacar nalguma canção – tal como no Idioteque. Agora se é guitarrada ou não para puxar por um grupo de gente, a conversa aí já será outra. E depois, se eles a gravaram em estúdio sem a guitarra, é porque é assim que preferem que seja apresentada.
    Mas bom som na mesma, undoubtedly.

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