February 28, 2011 0

It really would’ve been it

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Tive este fds a primeira oportunidade de visualizar o DVD ‘This Is It’, lançado pelo estate de Michael Jackson com uma compilação de entrevistas e filmagens dos ensaios daquele que seria o último espectáculo ao vivo do malogrado artista.

Até agora nunca tinha tido grande vontade de ver esta peça. E por duas razões. A primeira, porque sempre encarei este e restantes produtos lançados desde a morte de Jackson como um pleno exercício de milking the cow (o álbum póstumo então é de uma imoralidade gritante, mas adiante). Segundo porque tendo eu tido bilhetes para ver o espectáculo no dia 1 de Agosto de 2009, tinha receio de fazer escalar o sentimento de pena que tenho ostentado desde do seu falecimento de nunca ter concretizado o desejo de o ter visto ao vivo. Michael Jackson foi o primeiro artista que me acompanhou logo desde dos meus tempos de primária aqui por Londres e como tal, pinta toda essa época como sua banda sonora. O ‘Bad’ foi o primeiro de muitos álbuns que comprei ao longo da minha vida e tendo que mudar-me para Portugal e deixar para trás os meus amigos, foi mais um que me ajudou naquela que foi uma mudança bastante difícil, como o seria em qualquer altura em que se tem de trocar Londres por uma aldeia no interior de Portugal. Logo, a ligação era-me bastante especial.

Mas fui incitado a ver o filme este fds, por razões que agora não interessam. E assim o fiz. Sozinho. A Rute nem sequer quis cheirar um bocado que fosse do DVD, portanto lá agarrei nos fonos e meti-me ao caminho. E ainda bem que o fiz.

O que mais salta à vista depois do visionamento do ‘This Is It’ é, acima de tudo, a frescura que Michael Jackson demonstrava nos ensaios. Tanto a nível de voz como de dança, via-se que ele estava ainda aí para as curvas. O nariz podia-lhe estar a cair, é certo, mas os seus membros estavam bem oleados e a caminho da forma que o tinha celebrizado em todas as décadas anteriores até aos seus dias da Motown. Fiquei bastante surpreendido com as imagens detalhadas que vi. Estava à espera de um Jackson frágil, a arrastar-se pelo palco. E era precisamente essa imagem que no fundo acreditava ir ver quando me apresentasse no O2 em Londres. Mas estaria bastante enganado. Muito mesmo.

Em segundo lugar, deu para ver que o espectáculo que se estava a montar teria sido o maior e mais sublime de todos os espectáculos over-the-top que o mundo teria tido oportunidade de ver. Quais Madonnas, quais U2. Não há nada que se compare àquilo que estava a ser – e que acabou por ser – produzido para este ‘This Is It’. Quaisquer palavras que pudesse escrever aqui não chegariam, nem de perto, para qualificar aquilo que esteve para ser apresentado. O nível dos performers de palco é qualquer coisa de estonteante. Os efeitos especiais, indescritíveis. E o guarda-fatos, ao nível do Michael Jackson. Tudo muito oposto a uma banda em palco acompanhado unicamente com os seus instrumentos num clube onde cabem pouco mais do que 200 pessoas, espaço e descrição daquele que será o meu ambiente idealizado num concerto de hoje em dia. Mas porra, se vais ver Michael Jackson, sabes que vai ser em grande. E se vai ser em grande, então que seja o maior de tudo. O maior de sempre. E era mesmo para ter sido.

A maior tragédia disto tudo é que toda aquela produção e todo aquele trabalho nunca passe de um DVD. E não valeria a pena tentar levar aquilo ao palco de uma forma ou de outra sem a presença de Jackson, porque sem o Michael aquilo não funciona. Ponto final. Como diz um dos músicos entrevistados no documentário, ao contrário dos hologramas de produção maciço da indústria musical actual, Michael Jackson vinha do tempo em que os artistas tinham mesmo de saber cantar ou dançar e Jackson fazia ambos de forma perfeita. Foi, por ventura, o maior e melhor show man de sempre.

Fica o mal menos de ter ficado registado, para aqueles que quiserem ver, o quão em forma Michael Jackson estava e, acima de tudo, o quão precoce foi a sua trágica morte. De hoje em dia, apesar de me mexer quase exclusivamente pelo mundo da música indie, tenho sempre tempo para Michael Jackson. E assumo-o sem qualquer tipo de vergonha. E de todas as bandas que adoro, que curta cantar com os amigos ou tocar numa jam session, nenhum – nenhum mesmo – me consegue pôr a cantar como o Michael Jackson consegue. E enquanto a minha audição me for acompanhando, assim continuará a ser.

Fica assim feita então, tardiamente, a minha prometida homenagem a Michael Jackson. Talvez um dia volte a tocar no assunto numa outra perspectiva – quiçá para descrever tudo aquilo que ele implicava socialmente numa Londres de putos na era Thatcher.

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